Resposta da OMS ao surto de hantavírus num navio de cruzeiro ao largo da cidade da Praia

Resposta da OMS ao surto de hantavírus num navio de cruzeiro ao largo da cidade da Praia

Praia, Cabo Verde. A Organização Mundial da Saúde (OMS), em estreita coordenação com o Governo de Cabo Verde e parceiros internacionais, apoiou na resposta rápida e coordenada a um surto de hantavírus identificado a bordo de um navio de cruzeiro que permaneceu ao largo do Porto da Praia entre os dias 3 e 6 de maio de 2026.

Contexto da situação

A OMS foi notificada a 2 de maio de 2026 sobre um surto de doença respiratória grave a bordo de uma embarcação a navegar a caminho de Cabo Verde. Até 6 de maio, tinham sido identificados três óbitos, um paciente em cuidados intensivos na África do Sul e 3 passageiros sintomáticos a bordo do navio. Os sintomas reportados incluíam febre, manifestações gastrointestinais e rápida progressão para pneumonia e insuficiência respiratória aguda.

O navio, que transportava aproximadamente 147 passageiros e tripulantes de 23 nacionalidades, permaneceu fundeado ao largo da cidade da Praia, sem autorização de desembarque, como medida preventiva de saúde pública adotada pelas autoridades nacionais.

Resposta coordenada da OMS

A resposta foi conduzida em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional (2005) e teve como prioridades a proteção da população, o atendimento clínico adequado aos doentes e a redução do risco de transmissão.

Entre as principais ações desenvolvidas destacam-se:

  • Coordenação internacional entre Cabo Verde, OMS e autoridades de saúde dos Países Baixos, Espanha, África do Sul e Reino Unido; 

  • Realização de avaliações conjuntas de risco e partilha contínua de informação epidemiológica; 

  • Mobilização de equipas técnicas especializadas para apoio médico e operacional a bordo; 

  • Reforço da capacidade laboratorial, transporte de amostras para o Laboratório de Referência IPD e disponibilização de equipamentos de proteção individual; 

  • Apoio às autoridades nacionais na vigilância epidemiológica, gestão de contactos e medidas de prevenção e controlo da infeção; 

  • Comunicação regular com o público e parceiros para assegurar informação baseada em evidências e evitar desinformação.

Apoio às autoridades nacionais

A OMS trabalhou em estreita colaboração com o Ministério da Saúde de Cabo Verde, e outras instituições nacionais para reforçar a capacidade de resposta e garantir a implementação de medidas adequadas de saúde pública.

As equipas técnicas apoiaram igualmente a monitorização da situação no porto e a preparação de unidades de referência para eventual gestão de casos.

Avaliação do risco

Com base nas informações disponíveis, a OMS considerou que o risco para a população em Cabo Verde era baixo. 

Evacuação medica dos doentes sintomáticos e continuação da viagem 

No dia 6 de Maio, os três pacientes sintomáticos foram evacuados para os Países Baixos em dois aviões ambulância numa operação internacional que envolveu Cabo Verde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e as autoridades do Reino Unido, da Espanha e dos Países Baixos. 

Após esta evacuação, o navio seguiu viagem para o próximo destino, as Ilhas Canárias. O desembarque de todos os passageiros e tripulação, aconteceu no dia 10 de Maio na ilha de Tenerife. De salientar que durante esta viagem houve um reforço dos cuidados com a integração de 2 médicos holandeses, e de um médico da OMS especialista em epidemiologia.

Compromisso contínuo

A OMS continuará a apoiar as autoridades nacionais e os parceiros internacionais na monitorização da situação, na coordenação das medidas de resposta e na proteção da saúde pública. A Organização reafirma a importância da cooperação internacional, da vigilância precoce e da transparência na gestão de eventos de saúde pública com potencial impacto internacional.

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