Cabo Verde lidera o caminho para acabar com novas infecções por VIH em crianças na África Ocidental e Central

Emanuel Fernandes nasceu algumas semanas depois que a sua mãe foi diagnosticada VIH positivo.

"Fiquei tão chocada, chorei muito, não esperava", lembra Leila Rodrigues após do exame de rotina pré-natal que detetou que tinha o vírus.  

A Sra. Rodrigues vive na Cidade da Praia, Cabo Verde, e lembra-se do apoio que recebeu do pessoal do hospital. Concretamente, recebeu a medicação para o tratamento anti-retroviral (ARV) para prevenir a transmissão do VIH ao seu bebé. 

Após um parto por cesariana e 18 meses de tratamento e supervisão pediátrica com ARV, Emanuel deu negativo. "Quando recebi a notícia fiquei tão contente, foi o dia mais feliz da minha vida", exclama ela.

Cabo Verde priorizou a eliminação da transmissão vertical do VIH de mãe para filho porque, salienta o Ministro da Saúde, Arlindo Nascimento do Rosário, assegurando que "toda criança tem o direito de nascer saudável e viver uma vida saudável. Elas nascem para brilhar". 

O país descentralizou os serviços de atenção para VIH e oferece testes para todas as mulheres grávidas. Se uma mulher for diagnosticada positiva, recebe imediatamente medicamentos anti-retrovirais, o que, juntamente com um leque de serviços durante o o período pré-natal, parto e amamentação, o que reduz o risco de transmissão do vírus aos seus filhos para menos de 5%. O sistema de saúde de Cabo Verde fornece estes serviços gratuitamente como parte da política de cobertura universal de saúde do governo. 

O trabalho comunitário e as visitas individuais estão no centro das atividades dos assistentes sociais da Comissão de Coordenação de Combate à SIDA (CCS-Sida) na prevenção da infecção pelo VIH e no apoio às pessoas que vivem com SIDA. 

"O trabalho de proximidade é fundamental para ajudar as famílias e fornecer as informações necessárias para que as mães tenham uma boa qualidade de vida e evitar o estigma e a marginalização social", diz Augusta Fernandes, a assistente social entre cujos 50 "clientes" se encontra a mãe de Emanuel Fernandes.

"Em 2014, 2015 e 2016 tivemos zero bebês infetados", observa Celina Ferreira, presidente da CCS-Sida em Cabo Verde. Houve um caso em 2017, mas ela explica que foi uma anomalia "porque o tratamento não foi seguido devido a problemas familiares relacionados com o consumo de drogas".

Com o apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dos parceiros, Cabo Verde está a liderar o caminho na África Ocidental e Central na eliminação do VIH em crianças nascidas de mães seropositivas.

Muitos países estão atrasados na prevenção da transmissão vertical.

Muitos outros países da região ainda não alcançaram o mesmo nível de sucesso que Cabo Verde. 

Menos de metade de todas as mulheres grávidas vivendo com VIH na África Ocidental e Central (47%) tiveram acesso a medicamentos anti-retrovirais para prevenir a transmissão do vírus aos seus filhos, em comparação com quase 90% na África Oriental e Austral. 

Embora tenha havido algum progresso na cobertura do tratamento antirretroviral para crianças na África Ocidental e Central, que passou de 18% em 2014 para 26% em 2017, a região ainda tem a menor cobertura do mundo.

Para ajudar os países a alcançarem os avanços globais, a ONU-SIDA, a UNICEF e a OMS estão a instar os países a intensificarem a sua resposta ao VIH pediátrico durante a Reunião de Alto Nível sobre a Eliminação da Transmissão Vertical do VIH de mãe para filho e a Cobertura Sanitária Universal dos Testes e o Tratamento do VIH Pediátrico na África Ocidental e Central, que está a acontecer esta semana em Dacar, Senegal. 

"A OMS está a fornecer um financiamento inicial crucial e apoio especializado para ajudar os países a transformar a sua resposta ao VIH em programas sustentáveis, eficientes e reactivos", salienta o Dr. Hugues Lago, Coordenador do Programa VIH/Tuberculose/Hepatite no Escritório Regional da OMS para África. "Estamos a apoiar mais de 20 países da África Ocidental e Central a descentralizarem ainda mais os serviços do VIH e a alcançarem as metas globais de 90-90-90.

Os sistemas laboratoriais inadequados continuam a ser um grande obstáculo. Apenas 21% dos bebés expostos ao VIH na região são testados do vírus nos primeiros dois meses de vida. O diagnóstico precoce dos bebés é crucial para garantir o tratamento que salva vidas o mais rapidamente possível.

A OMS está a ajudar os países a integrarem e descentralizarem os seus programas de VIH nos seus serviços de saúde alargados e a reforçarem as capacidades das equipas nacionais para intensificarem o diagnóstico precoce nos bebés. A realização de testes e tratamento pré-natal do VIH em clínicas, a imunização, o combate à mal-nutrição, e as campanhas de distribuição de mosquiteiras para combater a malária, podem ajudar a aumentar o número de bebés diagnosticados precocemente.

Emanuel Fernandes é um testemunho do sucesso dos programas de prevenção da transmissão vertical do VIH de mãe para filho. Ele é agora um menino de 4 anos, saudável, prestes a iniciar a escola primária e a sua mãe tornou-se numa activista para ajudar outras mulheres seropositivas como membro da Rede Nacional de Pessoas com VIH de Cabo Verde. 

"Eu quero que o meu filho seja um grande homem, humilde e com um grande coração para ajudar os outros", deseja a sua mãe.

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