Semana Africana da Vacinação 2021

Mensagem da Dr.ª Matshidiso Moeti, Directora Regional da OMS para a África                          

Este ano comemoramos a Semana Africana da Vacinação, numa altura em que as vacinas estão no topo das agendas políticas a nível mundial.

O tema retido para celebrar esse dia é “As vacinas aproximam-nos”. Este evento relembra o papel essencial que as vacinas desempenham no combate às doenças. Além de salvar vidas, as vacinas aproximam-nos de um futuro mais saudável, seguro e próspero.

Realizaram-se progressos significativos em matéria de vacinação nos últimos anos. No ano passado, alcançou-se um feito histórico com a certificação da erradicação do poliovírus selvagem na Região Africana da OMS. Além disso, mais de 40 países africanos eliminaram o tétano materno e neonatal. As campanhas de vacinação também estão a ter um enorme impacto positivo noutras doenças, como o cancro do colo do útero, a hepatite e a doença por vírus Ébola.

Até à data, 19 países africanos alcançaram a meta de, pelo menos, 90% de vacinados contra a difteria-tétano-tosse convulsa (DTP3). É preocupante que a cobertura vacinal de rotina tenha estagnado entre os 70 e 75% nos últimos 10 anos a nível regional.

Todos os anos na Região, estima-se que cerca de nove milhões de crianças não recebam vacinas vitais. Oitenta por cento destas crianças vivem em 10 países[1]. Entre eles, a Etiópia, a Nigéria e a República Democrática do Congo representam quase 60% do total. Esta situação afecta não só as crianças que vivem em zonas rurais de difícil acesso, como também as das comunidades urbanas.

Desde Janeiro de 2020, oito países africanos reportaram surtos graves de sarampo, registando dezenas de milhares de casos. Uma situação que se deve em grande parte à baixa cobertura vacinal de rotina e ao atraso nas campanhas de vacinação.

Para que todas as crianças tenham acesso à vacinação de rotina, é necessário primeiro superar certos desafios relacionados com os sistemas de saúde. Entre eles contam-se a inadequação das infra-estruturas, dos transportes e do sistema de abastecimento de energia eléctrica aos frigoríficos, o número limitado de profissionais de saúde na linha da frente e a falta de reservas de vacinas e de outros produtos essenciais, como as seringas.

Em 2017, os chefes de Estado africanos subscreveram a Declaração de Adis sobre Vacinação, comprometendo-se a investir no reforço do acesso universal à vacinação.

Tendo em conta o acima exposto, é necessária uma acção integrada de modo a expandir o acesso à vacinação como parte dos sistemas de cuidados de saúde primários. Esta iniciativa deverá ser apoiada por uma força de trabalho qualificada e em número suficiente, sistemas de vigilância e informação sanitária robustos, bem como por uma liderança, gestão e coordenação nacionais.

É importante que as comunidades estejam envolvidas nas acções que visam melhorar a literacia no domínio da saúde e aumentar a procura por vacinas, sensibilizando nomeadamente os grupos mais desfavorecidos e marginalizados.

A pandemia de COVID-19 reafirmou o enorme valor das vacinas.

Graças ao mecanismo COVAX, ao grupo de trabalho africano responsável pela aquisição de vacinas e aos acordos bilaterais, mais de 34 milhões de doses de vacinas contra a COVID-19 foram distribuídas pelos países africanos.

Face às restrições mundiais em matéria de abastecimento, criou-se uma nova dinâmica a favor do reforço da capacidade de fabrico de produtos farmacêuticos no continente que poderá garantir de forma sustentável o acesso a vacinas no futuro. Peço que trabalhemos em conjunto para acelerar este processo.

Assim, nesta Semana Africana da Vacinação, tomemos as devidas providências para garantir que a vacinação mantém o seu lugar nas agendas nacionais de desenvolvimento e segurança.

Façamos tudo o que está ao nosso alcance para proteger as populações de doenças evitáveis pela vacinação.


[1] África do Sul, Angola, Camarões, Chade, Etiópia, Guiné, Níger, Nigéria, República Democrática do Congo e República Unida da Tanzânia.