Mensagem do Director Regional da OMS para a África, Dr. Mohamed Janabi
No dia em que se celebra a saúde oral 2026, viramos todas as nossas atenções para um desafio sanitário, silencioso, mas difundido, que afecta as comunidades por toda a Região Africana da OMS. As doenças da boca fazem parte dos problemas de saúde mais comuns e que, apesar de serem evitáveis, permanecem dos domínios mais descurados da saúde pública.
As doenças orais, incluindo as cáries dentárias, as doenças periodontais, a perda dentária e a noma, uma patologia devastadora, afectavam 42% da nossa população em 2021. Estes problemas de saúde provocam dor e mau-estar, incapacidades e um sofrimento evitável, enquanto exercem uma pressão contínua sobre as famílias, as comunidades e os sistemas de saúde.
Reconhecendo este fardo, os Estados-Membros da OMS aprovaram em 2025 o Quadro da Região Africana da OMS para acelerar a implementação do Plano de acção mundial de
saúde oral 2023–2030. Este Quadro faz avançar a implementação do Plano de acção mundial da OMS em saúde oral e estabelece um caminho claro rumo à cobertura universal de saúde oral até 2030.
Os países já estão a traduzir estes compromissos em acções. Com o apoio financeiro da Fundação Borrow, o Gana, Madagáscar, a República Unida da Tanzânia e o Uganda desenvolveram estratégias nacionais de saúde oral para reforçar a prevenção e a prestação de serviços. A Etiópia, com o apoio da Hilfsaktion Noma e.V., formou mais de 850 profissionais de saúde primária e agentes comunitários de saúde em 10 regiões com o intuito de melhorar a detecção precoce da noma, integrando simultaneamente a vigilância da noma nas campanhas de administração em massa de medicamentos, o que permitiu chegar a mais de 2,6 milhões de pessoas à escala nacional.
Para intensificar a capacidade de formação nacional e para constituir uma força de trabalho sustentável em saúde oral, o Maláui criou o seu primeiro programa de licenciatura em cirurgia dentária, construiu uma nova escola de medicina dentária e formou os seus primeiros dentistas com formação local.
Na República Unida da Tanzânia, a expansão e o destacamento nacional da força de trabalho têm vindo a apoiar a prestação de cuidados precoces e a melhorar os resultados de saúde a longo prazo. Ao todo, já foram formados 594 terapeutas de saúde oral, foram destacados dentistas para os 184 conselhos distritais e, entre 2023 e 2025, a percentagem de unidades de saúde que prestam tratamentos restaurativos passou de 25% para 45%.
Os Centros Colaboradores da OMS, incluindo o Instituto Japonês de Segurança Sanitária e a Universidade de Niigata, apoiaram ainda mais os países, designadamente o Quénia, a República Unida da Tanzânia e a Zâmbia, no reforço dos serviços de saúde oral ao nível dos cuidados primários, apostando na formação de pessoal da saúde e na prestação alargada de intervenções essenciais.
Não obstante, persistem grandes lacunas. Neste momento, somente 17% da população na nossa Região tem acesso a serviços essenciais de saúde oral. A escassez de força de trabalho, o subinvestimento crónico e as insuficientes medidas preventivas, incluindo um consumo elevado de açúcares e uma exposição desadequada ao flúor, continuam a provocar doenças orais evitáveis, sobretudo em zonas mal servidas.
A OMS também está a apoiar os países na transição para cuidados de saúde oral sustentáveis do ponto de vista ambiental e menos invasivos, incluindo descontinuar gradualmente amálgamas dentárias contendo mercúrio, em conformidade com a Convenção de Minamata sobre o Mercúrio. Através de orientações e novas abordagens baseadas em dados factuais e do apoio técnico, incluindo a recente directriz da OMS sobre saúde oral amiga do ambiente e menos invasiva, a OMS está a ajudar a alargar a prevenção, reforçar a prestação de serviços e integrar intervenções essenciais de saúde oral ao nível dos cuidados primários.
A melhoria da saúde oral é fundamental para a cobertura universal de saúde. Além de reduzir doenças evitáveis, diminui igualmente custos a longo prazo e incrementa o bem-estar ao longo da vida.
Neste Dia Mundial da Saúde Oral, apelo aos governos, aos parceiros, ao meio académico e à sociedade civil para se unirem de modo a acelerar a implementação de estratégias nacionais de saúde oral, a reforçar a capacidade da força de trabalho e a alargar o acesso a serviços essenciais.
A OMS continua empenhada em apoiar os Estados-Membros na integração da saúde oral nos sistemas nacionais de saúde e na promoção do acesso equitativo aos cuidados.
Mercê de um compromisso e de um investimento sustentados, a Região Africana pode reduzir o fardo das doenças orais e assegurar que as gerações vindouras cresçam, aprendam e vivam sem doenças orais evitáveis.
Para mais informações:
- Oral Health (Saúde Oral)
- Quadro regional para a aplicação acelerada do plano de acção mundial para a saúde oral: Abordar as doenças orais como parte das doenças não transmissíveis, com vista à consecução da cobertura universal de saúde e da saúde para todos até 2030
- WHO guideline on environmentally friendly and less invasive oral health care for preventing and managing dental caries (Directrizes da OMS sobre cuidados de saúde oral menos invasivos e mais ecológicos com vista à prevenção e à gestão de cáries dentárias)
- Tanzania strengthens oral health services through strategic partnership with WHO and WHO Collaborating Centres in Japan (A República Unida da Tanzânia reforça os serviços de saúde oral através de parcerias estratégicas com a OMS e os Centros Colaboradores da OMS no Japão)
Africa faces critical shortage of oral health workers amid rising disease burden (África enfrenta uma penúria crítica de profissionais de saúde oral perante o peso crescente destas doenças)
