Guiné-Bissau dá mais um passo rumo a um futuro sem pólio

Guiné-Bissau dá mais um passo rumo a um futuro sem pólio

Bissau—Uma avaliação independente recomendou o encerramento do surto de poliovírus variante tipo 2 detectado em 2021, ao mesmo tempo que reforça a importância de manter a imunização e a vigilância.

A Guiné-Bissau alcançou um marco importante no seu compromisso contínuo com um futuro sem pólio. Depois de ter sido certificada como livre do poliovírus selvagem em 2019 pela Comissão Regional Africana para a Certificação da Erradicação da Poliomielite, o país recebeu agora a recomendação para o encerramento formal do surto de poliovírus variante tipo 2 detectado em 2021.

A recomendação resulta de uma avaliação independente conduzida pela equipa de Avaliação da Resposta a Surtos da Iniciativa Global de Erradicação da Pólio. Após analisar a resposta do país, incluindo a imunidade da população, as campanhas suplementares de vacinação e a vigilância, a equipa concluiu que não há evidências de transmissão contínua do vírus.

Este é um importante avanço de saúde pública para a Guiné-Bissau e um passo essencial para proteger as crianças contra uma doença prevenível. O resultado também reflete o compromisso dos profissionais de saúde, das comunidades, das mães, pais e cuidadores, das autoridades nacionais de saúde e dos parceiros que contribuíram para a resposta.

Compreender o surto de 2021

Em 14 de outubro de 2021, a Guiné-Bissau foi informada pelo Institut Pasteur de Dakar, por meio da OMS, sobre a identificação do poliovírus variante tipo 2 em quatro amostras. Estas incluíam três crianças afetadas por Paralisia Flácida Aguda e um contacto de um caso de PFA. Os casos foram identificados no Setor Autónomo de Bissau e na região de Biombo.

O Ministério da Saúde Pública declarou o surto como um evento de emergência de saúde pública em 21 de março de 2022. Em resposta, a Guiné-Bissau organizou duas rondas de atividades suplementares de imunização, realizadas de 27 a 30 de abril de 2022 e de 22 a 25 de junho de 2022, com apoio técnico e financeiro dos parceiros da Iniciativa Global de Erradicação da Pólio.

Mais de 600.000 crianças de 0 a 59 meses foram vacinadas com a nova vacina oral contra a poliomielite tipo 2. A resposta também incluiu ações para fortalecer a imunidade da população, reforçar a vigilância da Paralisia Flácida Aguda e ampliar a vigilância ambiental.

Uma resposta coletiva para proteger todas as crianças

A resposta foi conduzida sob a liderança do Ministério da Saúde Pública e contou com o envolvimento de uma ampla gama de atores, incluindo profissionais de saúde, lideranças políticas, tradicionais e religiosas, organizações da sociedade civil, meios de comunicação social, comunidades, mães, pais e cuidadores.

Alcançar crianças em todo o país exigiu não apenas vacinas, mas também confiança, comunicação e envolvimento comunitário. Esses esforços foram essenciais para garantir que as famílias tivessem acesso a informações confiáveis e que as crianças, incluindo aquelas que vivem em áreas de difícil acesso e em zonas fronteiriças, não fossem deixadas para trás.

Sustentar um futuro sem pólio é também um compromisso com a equidade. Todas as crianças têm o direito de estar protegidas contra doenças preveníveis por vacinação, independentemente de onde vivem, da renda de suas famílias, de sua condição de deficiência, etnia, gênero ou acesso aos serviços de saúde.

Sustentar os avanços alcançados

Embora a recomendação de encerramento do surto represente uma grande conquista, a vigilância contínua permanece essencial. A equipa de Avaliação da Resposta a Surtos apresentará recomendações técnicas detalhadas para apoiar a Guiné-Bissau na manutenção da imunidade da população, no fechamento de lacunas de vigilância e na redução do risco de futuras importações do vírus, inclusive por meio de iniciativas transfronteiriças robustas.

A OMS reconhece a liderança do Ministério da Saúde Pública, a dedicação dos profissionais de saúde, a confiança das comunidades e o apoio contínuo dos parceiros na conquista deste importante marco. A OMS reafirma o seu compromisso em apoiar a Guiné-Bissau na manutenção de sistemas fortes de imunização, de uma vigilância sensível e de um futuro livre da pólio.

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Mariana Cursino da Cruz

Gender, Equity, and Human Rights Officer 
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