Angola vai vacinar dois milhões de crianças para erradicar a pólio

Luanda, 14 de Novembro de 2019 - O Governo de Angola e seus parceiros estão a levar a cabo uma campanha de vacinação de três dias dirigida a 2,3 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade, em seis províncias do país, como resposta a um surto de poliomielite.

Há oito anos que Angola não regista nenhum surto de poliomielite. No entanto, desde Julho do corrente ano, 11 das 18 províncias do país registaram um número total de 41 casos de crianças com pólio. Em resposta, o Governo com o apoio dos  seus parceiros vai realizar nos dias 15, 16 e 17 de Novembro, uma campanha de vacinação nas províncias de Luanda, Bengo, Kwanza Norte, Huambo, Uíge e Malanje. 

A campanha de vacinação contra a poliomielite nestas províncias é extremamente importante para bloquear o surto de poliomielite, dado o número de crianças a vacinar, o que representa mais de um terço da população do país com menos de cinco anos de idade. Para a primeira ronda de vacinação em Luanda, as autoridades locais contarão com a participação de 12.000 pessoas, entre técnicos de saúde, militares angolanos e membros da sociedade civil.

"Todos nós, em conjunto, devemos trabalhar para sensibilizar as nossas famílias e comunidades para a necessidade de vacinar todas as crianças. Precisamos de continuar a empenhar-nos activamente no desenvolvimento de um sistema robusto de vigilância e vacinação de rotina, de modo a prevenir, detectar e responder rapidamente a quaisquer casos de poliomielite", disse a Dra. Fernanda Alves, Representante Interina da Organização Mundial de Saúde em Angola. 

A paralisia flácida aguda é um sintoma clínico de poliomielite, uma doença infecciosa que afecta crianças com menos de cinco anos. O vírus da poliomielite é transmitido de pessoa para pessoa, principalmente por via fecal-oral ou, menos frequentemente, por um veículo comum (por exemplo, água ou alimentos contaminados) e multiplica-se no intestino. 

Graças aos esforços da Iniciativa Global de Erradicação da Pólio, lançada em 1988, dois dos três tipos de poliovírus selvagem foram erradicados globalmente. O último caso de poliovírus selvagem na Região Africana foi detectado no Estado de Borno, na Nigéria, em 2016. Hoje, a região prevê ser certificada como livre de todos os três tipos de poliomielite selvagem em 2020. No entanto, a ameaça de um raro surto de poliovírus derivado da vacinação está a alastrar-se em 13 países africanos, incluindo Angola.

Os poliovírus derivados de vacinas são raros, mas estes vírus são por vezes encontrados em populações gravemente submunizadas ou não imunizadas, que vivem em áreas com saneamento inadequado. Quando as crianças são imunizadas com a vacina oral da poliomielite, o vírus vivo reproduz-se nos seus intestinos durante um curto período de tempo para desenvolver os anticorpos necessários e é depois excretado. Se a cobertura vacinal permanecer baixa numa comunidade e o saneamento continuar inadequado, os vírus excretados serão transmitidos a populações susceptíveis, levando a alterações genéticas e à emergência de poliovírus derivados da vacinação.  

Os países que experimentam surtos de poliovírus derivados da vacinação são: Angola, Benim, Camarões, República Centro-Africana, Chade, Côte d'Ivoire, República Democrática do Congo, Etiópia, Gana, Níger, Nigéria, Togo e Zâmbia. Estes países enfrentam muitos desafios, incluindo uma fraca cobertura da vacinação de rotina, transumância humana, recusa de vacinas, acesso difícil a alguns locais e variações na qualidade das campanhas de vacinação, o que dificultou a imunização de todas as crianças.

"Dados os desafios que o país enfrenta para garantir a imunização de todas as crianças, precisamos permanecer resilientes em nossos esforços de vacinação e vigilância epidemiológica para que nenhuma criança fique para trás com o risco de contrair paralisia”, disse a Dra. Fernanda Alves. 

A resposta ao surto de pólio exigiu um enorme esforço de coordenação multissectorial, tornando a vacinação disponível para milhares de crianças, combinada com a vigilância activa de doenças evitáveis pela vacinação e com a colaboração voluntária de centenas de homens e mulheres. Neste percurso, a OMS e os parceiros estratégicos na luta contra a poliomielite, incluindo as agências das Nações Unidas, têm apoiado desde o início o Governo de Angola em acções estratégicas para controlar e bloquear a transmissão do vírus da poliomielite. 

Funcionários da OMS durante campanha de vacinação
Funcionários da OMS durante a campanha de vacinação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para informação adicional, por favor contactar:

Olívio Gambo, Oficial de Comunicação da OMS em Angola, Tel: +244 923 61 48 57, Email: gamboo [at] who.int

 

Vacinador durante campanha de poliomielite
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