Garantir o futuro da saúde em África: o caminho até 2027 e mais além
Este capítulo final do relatório do Director Regional olha em diante, numa perspectiva de futuro. Resume os resultados alcançados no período de referência anterior, até 30 de Junho de 2026, e delineia aquilo que ainda falta completar; analisa as forças políticas, económicas, sociais, ambientais e tecnológicas que irão moldar os próximos cinco anos; anuncia a visão da Região em matéria de saúde pública e as mudanças políticas exigidas; enuncia a agenda do Director Regional face a três horizontes temporais, nomeadamente 2027, 2030 e 2035; e termina formulando aos EstadosMembros e aos parceiros pedidos prontos para que uma decisão seja tomada. A sua argumentação é simples: a Região Africana deixou de estar à espera de uma ordem sanitária mundial concebida alhures. Está sim a contribuir para moldar uma ordem que seja pertença, financiada e liderada a partir de África, e as escolhas dos ministros e parceiros serão decisivas para determinar até que ponto e com que rapidez esse futuro há-de chegar (1–2).
01Até onde chegamos - e as lacunas que ainda ditam vidas
O período do relatório terá sido um dos mais exigentes da história recente da Região, mas também um dos mais produtivos. Os Estados-Membros, apoiados pelo Secretariado, mantiveram os serviços essenciais em funcionamento perpassando a mais acentuada contracção do financiamento da saúde em décadas, conseguiram controlar vários surtos e registaram o maior grupo de marcos verificados em termos de eliminação de doenças numa geração, enquanto o Escritório Regional se reergueu para se aproximar ainda mais das populações que serve. Esse registo completo vem exposto nos capítulos anteriores; esta secção destila-o e descreve as carências que ainda decidem da sobrevivência de uma mãe ou de uma criança.
O padrão subjacente aos resultados é tão importante quanto os próprios resultados. Quando os serviços partilham uma única plataforma de cuidados de saúde primários e quando os recursos escassos foram direccionados numa base distrito a distrito utilizando dados de rotina, a cobertura aguentou. Ao invés, nos sítios onde os programas estavam isolados, ficaram mais expostos a esses embates. As realizações não são, portanto, uma lista de vitórias separadas, mas a prova de um sistema que começa a responder adequadamente. Do mesmo modo, os desafios persistentes superam-se num pequeno número de temas transversais em vez de um catálogo de falhas programáticas: uma lacuna de financiamento que aumenta mais rapidamente do que a sua substituição interna pode fechá-lo; uma cobertura que atingiu o seu planalto aonde a desigualdade é maior; os alicerces do sistema - força de trabalho, dados, cadeias de abastecimento - que permanecem demasiado fracas para absorver choques; e a dificuldade recorrente de converter o compromisso político em resultados financiados e prestados. O Anexo apresenta uma síntese de ambos os lados do registo, organizada por tema para que o leitor veja o padrão mais do que as peças (Quadro A1).
Há uma tripla mensagem dirigida a ministros e parceiros. Primeiro, a Região executou em condições que, há uma década, teriam invertido os progressos realizados - demonstrando que as reformas dos últimos anos estão a mudar aquilo que o sistema consegue suportar. Segundo, os ganhos são reais, embora ainda não garantidos: assentam num financiamento que não foi substituído por outras fontes, em plataformas que devem ser protegidas e em compromissos que agora devem ser financiados. Garanti-los corresponde ao trabalho do período sobre o qual este capítulo se centra. Terceiro, os Estados-Membros devem ser resolutos e assegurar a sustentabilidade desses compromissos e a sua tradução em medidas concretas.
02Perspectivas para a Saúde: Tendências e Desafios dos Próximos Cinco Anos
A leitura da perspectiva para 2027 e mais além torna-se mais clara através do exame das forças sociais, tecnológicas, económicas, ambientais e políticas que, por fora do sector, agem sobre a saúde. O Capítulo 1 estabeleceu a base de referência para o período do relatório; esta secção vai mais longe e mostra, para cada dimensão, de que maneira estas forças estão a moldar a saúde pública (3).
Forças políticas: A soberania está a tornar-se a gramática da saúde mundial. A mudança política que define o período é a consolidação de uma doutrina africana de soberania em matéria de saúde. A Cimeira Africana sobre Soberania da Saúde realizada em Acra (Agosto de 2025) e o seu resultado, lançado sob a designação Accra Reset por ocasião da 80ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, deslocaram o contributo da Região, passando da negociação técnica para a definição de normas políticas: apropriação pelos países, financiamento interno e parceria equitativas são agora termos expressos, já não aspirações (4). Baseiamse na Nova Ordem da Saúde Pública em África (União Africana e CDC de África, 2022) e são levados por diante pelo Comité Ministerial Africano de Alto Nível sobre a Reforma da Arquitetura Mundial da Saúde, que reúne ministros das finanças num mecanismo permanente (5). As implicações para a saúde pública são estruturais: o financiamento da saúde, as parcerias e a governação na Região serão cada vez mais definidos pelas instituições e instrumentos africanos, e o apoio externo será aferido pela forma como se alinha com os planos liderados ao nível nacional. A soberania deixou de ser um lema, é o quadro dentro do qual os ministros negoceiam doravante.
Factores económicos: Se o crescimento está a chegar, a saúde deve reivindicar a sua parte. Prevê-se que as economias africanas cresçam 4,2%, em 2026, e 4,4%, em 2027, em que 12 das 20 economias com o crescimento mais rápido do mundo pertencem ao continente e que vários Estados-Membros - incluindo a Etiópia, o Ruanda e o Uganda - venham a crescer de 6% ou mais (6). Um crescimento desta escala alarga o espaço orçamental que poderia financiar sistemas de saúde resilientes, mas só se a saúde assim o reivindicar. Mais de duas décadas depois de a Declaração de Abuja comprometer os governos a afectar pelo menos 15% dos seus orçamentos nacionais à saúde, essa meta continua em grande parte por satisfazer, e as despesas governamentais com saúde por toda a Região são em média cerca de metade disso (7). Isso pressupõe a necessidade de uma via de financiamento interna
Factores sociais: Uma África mais jovem e mais forte reivindica o direito à saúde. A população da Região ultrapassa 1,2 mil milhões de pessoas espalhadas por 47 Estados-Membros- É das mais jovens do mundo, aproximadamente 60% tem menos de 25 anos de idade, tratando-se de uma geração consciente dos seus direitos que leva cada vez mais os governos a responsabilizaremse pelos serviços que recebem (8). Ao mesmo tempo, o número de pessoas deslocadas, que foram forçadas a isso, atingiu níveis sem precedentes durante o período em apreço - só na África Ocidental e na África Central, 12,7 milhões de pessoas passaram a ser deslocadas ou apátridas, um aumento de 48% desde 2020, as mulheres e as crianças representando cerca de 80% desse número (9). Daí se tira uma dupla ilação: um dividendo demográfico que torna o sector da saúde num dos motores mais credíveis do continente para o emprego digno, e pressões crescentes em termos de procura, igualdade e responsabilização que os sistemas de saúde têm de saber gerir sob pena de defraudar a confiança pública.
03África como formatadora da saúde mundial, e não como beneficiária
A visão de saúde pública da Região para 2027 e mais além pode ser expressa numa única linha que um ministro pode repetir: uma Região Africana que financia, governa e fornece a sua própria saúde onde os cuidados são acessíveis, fiáveis e protegidos durante abalos, e onde a saúde é considerada um investimento fundacional de estabilidade, produtividade e soberania (1). Esta visão é coerente com o Décimo Quarto Programa Geral de Trabalho da OMS, 2025-2028 (PGT 14) e com a direcção estratégica do Director Regional, bem como reafirma a postura da Região desde a implementação das decisões tomadas noutros locais até à co-autoria das próprias regras da saúde mundial (2).
Quatro prioridades organizativas moldam a visão: a saúde universal - a promessa de serviços de saúde acessíveis e de qualidade para todos, baseados nos cuidados de saúde primários; a resiliência - a segurança sanitária e a continuidade do sistema inteiro que aguenta emergências; a modernização - as capacidades digitais, de dados, de força de trabalho e
A orientação política que decorre desta perspectiva consiste num conjunto de mudanças deliberadas de postura. A primeira mudança prende-se com o alinhamento dos doadores para a administração orçamental - diálogos institucionalizados em matéria de saúde-finanças-planeamento, financiamento interno circunscrito e saúde abordada sob o prisma da gestão de riscos macroeconómicos. A segunda tem a ver com a passagem de projectos fragmentados e específicos a doenças para bens públicos regionais - aquisições conjuntas, harmonização regulamentar, fabrico local e plataformas digitais partilhadas. A terceira é passar da resposta à resiliência do sistema no seu conjunto, em que a continuidade dos serviços essenciais está incorporada enquanto requisito de concepção. A mudança final é transformar-se de executor em administrador: o Escritório Regional está a redefinir o seu próprio papel de órgão técnico para responsável pelas políticas e finanças assim como de arquitecto da soberania da saúde africana - um administrador técnico, parceiro de apoio à implementação, coordenador, integrador de sistemas e plataforma de responsabilização (1-2). Na prática, significa dar prioridade ao trabalho normativo, administrativo e de definição de normas a montante, continuando a apoiar a implementação a jusante aonde os Estados-Membros mais precisem - ambos a par e passo, e não um em detrimento do outro.
A África já está a ser co-criadora de regras da saúde mundial. A afirmação segundo a qual a Região influencia a saúde mundial, em vez de ser um mero receptor não é simplesmente uma pretensão; é algo que os instrumentos do período abrangido pelo relatório vem comprovar. O Acordo da OMS sobre Pandemias, adoptado em Maio de 2025 com o seu sistema de acesso a agentes patogénicos e partilha de benefícios, e as alterações de 2024 introduzidas no Regulamento Sanitário Internacional, em vigor desde Setembro de 2025, contêm disposições de equidade que o Grupo Africano negociou e acautelou (12-13). O princípio de “um plano, um orçamento, um relatório” constante da Agenda de Lusaca - uma reforma liderada por África sobre a maneira como as iniciativas mundiais de saúde funcionam - foi incorporado na política vinculativa da OMS através de uma resolução em matéria de financiamento, que foi encabeçada pela Região (5). Além disso, a soberania regulamentar e de fabrico está a ser construída através da Agência Africana de Medicamentos e do Fórum Africano de Regulamentação das Vacinas, e através dos primeiros investimentos sérios no fabrico de vacinas, medicamentos e meios de diagnóstico em África (14-15). Estes são os meios por intermédio dos quais a Região protege os serviços essenciais, financia a sua própria saúde e dá resposta a choques à medida que o apoio externo regride - e são impulsionados por duas instituições complementares cuja divisão de trabalho é deliberada: por um lado, o Escritório Regional da OMS para a África, que lidera em termos de padrões normativos, orientação técnica, apoio aos países e responsabilização, e, por outro, o CDC de África que lidera a coordenação política continental e a ligação com os Chefes de Estado e de Governo. É a coerência dessa relação, mais do que qualquer declaração por si só, que converte o consenso continental num resultado ao nível dos países.
04A agenda do Director Regional
A visão é concretizada através de um quadro a médio prazo organizado ao longo de três horizontes temporais: a curto prazo, um sprint até 2027; a médio prazo, uma corrida aproximadamente até 2030; e num horizonte mais longo, outra até 2035. Tudo isso seguindo os sete programas emblemáticos de execução. Erradicar as doenças em África e a Agenda de Transformação para uma década constituem a coluna vertebral que lhes serve de esteio (17-19). O quadro é deliberadamente diferenciado: fala com a totalidade dos 47 EstadosMembros, segmentando a prestação para contextos frágeis e afectados por conflitos, para os inúmeros países que enfrentam um duplo fardo de doenças e para aqueles que já estão a avançar para a cobertura universal - fazendo com que o ritmo de cada reforma reflicta as circunstâncias de cada país.
As sete iniciativas emblemáticas são as linhas pelas quais a visão se torna realidade: cuidados de saúde primários centrados em distritos e sistemas comunitários; preparação e resiliência do sistema na sua íntegra; transformação digital; força de trabalho e liderança adequadas à sua finalidade; modernização institucional; fabrico regional e aquisição conjunta; e financiamento e parcerias sustentáveis. Cada uma baseia-se em resultados previamente comunicados e aponta para um marco mensurável.
O sprint de curto prazo até 2027 - estabilizar e repor. O período imediato define-se por duas pressões simultâneas: emergências de saúde em curso e um embate no financiamento estrutural. A primeira tarefa consiste em manter os ganhos arduamente obtidos repondo o modelo operacional, conseguindo controlar emergências activas e converter a resposta numa capacidade duradoura de detecção para dar resposta e de dimensão transfronteiriça - a começar pelo encerramento seguro e completo da emergência de saúde pública da variante Bundibugyo do Ébola (20). Outra tarefa a curto prazo é atenuar o choque
05O nosso apelo aos Estados-Membros e aos parceiros
Trata-se de uma solicitação final antes de fechar o relatório. É específica e dirige-se aos dois públicos cujas decisões assegurarão o futuro da saúde em África.
Aos Estados-Membros: Apropriar-se dela, financiá-la, levá-la às populações.
1. Financiar a saúde como o investimento que é. Estabelecer uma trajectória nacional explícita para alcançar a referência de Abuja, ou seja, afectar pelo menos 15% do orçamento nacional à saúde; circunscrever o financiamento interno através de impostos a favor da saúde, de taxas de solidariedade e da reforma dos seguros; e institucionalizar diálogos sobre planeamento-financiamento-saúde para assegurar que o crescimento tenha tradução nos orçamentos da saúde.
2. Empenhar-se na soberania e na prestação. Aprovar a visão e traduzí-la num pacto orçamentado com marcos partilhados até 2030; manter o compromisso político e financeiro em relação à regulamentação dos medicamentos africanos, à aquisição conjunta e à produção local; e proteger as plataformas de cuidados de saúde primários, vacinação, vigilância e força de trabalho que sustêm os resultados do exercício deste ano. Cumprir os compromissos já assumidos pelos EstadosMembros nas sucessivas resoluções do Comité Regional - sobre cuidados de saúde primários e cobertura universal de saúde, segurança sanitária, financiamento interno e produção local de produtos de saúde - e fazê-los passar da resolução para a implementação.
3. Reformar para melhorar a prestação dos serviços de saúde. Converter os compromissos políticos — incluindo a criação de postos de trabalho, os compromissos de mobilização de recursos, os protocolos adoptados e os instrumentos jurídicos aprovados — em realidades concretas, sustentadas por financiamento adequado, recursos humanos qualificados e mecanismos operacionais eficazes, mediante uma estreita coordenação entre os ministérios da Saúde, das Finanças, da Educação e do Trabalho.
Aos parceiros, incluindo os doadores: Alinhar e tornar o apoio previsível
06Referências do Capítulo 7 (20)
- 1. Impouma, B., Abdourahmane, D. and Janabi, M. (2026) Health in Africa: the WHO African Region in the next decade. The Lancet, 407, pp. 1055–1056. Disponível em: https://www.thelancet.com/action/showPdf?pii=S0140-6736%2826%2900183-2
- 2. Impouma, B., Luciani, A., Diallo, A. and Janabi, M. (2026) How African regional agencies can shape global health reform. Think Global Health [Internet], 23 April 2026 [citado a 9 de Julho de 2026]. Disponível em: https://www.thinkglobalhealth.org
- 3. World Health Organization Regional Office for Africa (2026) Annual report of the Regional Director to the Seventy-sixth session of the Regional Committee for Africa. Chapter 1: The context – a STEEP analysis of the health landscape. Brazzaville: World Health Organization Regional Office for Africa.
- 4. The Presidency, Republic of Ghana (2025) President Mahama and global leaders launch the Accra Reset at UNGA 2025 [Internet]. Accra: The Presidency. [citado a 9 de Julho de 2026]. Disponível em: https://presidency.gov.gh
- 5. Future of Global Health Initiatives (2023) The Lusaka Agenda: overview [Internet]. Geneva: Future of Global Health Initiatives. [citado a 9 de Julho de 2026]. Disponível em: https://futureofghis.org
- 6. Banco Africano de Desenvolvimento. Desempenho e Perspetivas Macroeconómicas em África (MEO) 2026. Abidjan: Banco Africano de Desenvolvimento; 2026: https://www.afdb.org/pt/documents/ desempenho-e-perspetivas-macroeconomicas-em-africa-meo-2026
- 7. Abuja Declaration on HIV/AIDS, tuberculosis and other related infectious diseases. Abuja: African Union; 2001 (https://au.int/sites/default/files/pages/32894-file-2001-abuja-declarat…)
- 8. African Union and Africa Centres for Disease Control and Prevention (2022) Africa’s New Public Health Order. Addis Ababa: Africa Centres for Disease Control and Prevention.
- 9. World Health Organization Regional Office for Africa (2026) A new era of health for Africa: united action for Vision 2035. Draft version 1. Brazzaville: World Health Organization Regional Office for Africa, 12 May 2026.
- 10. United Nations High Commissioner for Refugees (2025) Regional trends: forced displacement in West and Central Africa in 2025 [Internet]. Geneva: United Nations High Commissioner for Refugees. Disponível em: https://www.unhcr.org/media/west-and-central-africa-regional-trends-for…
- 11. World Meteorological Organization (2025) State of the climate in Africa 2024 [Internet]. Geneva: World Meteorological Organization. Disponível em: https://wmo.int/sites/default/files/2025-05/Africa_2024final1.pdf
- 12. United Nations, Department of Economic and Social Affairs, Population Division (2024) World population prospects 2024. New York: United Nations.
- 13. World Health Assembly (2025) WHO Pandemic Agreement. Resolution WHA78.1. Geneva: World Health Organization, 20 May 2025. Disponível em: https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA78/A78_R1-en.pdf
- 14. World Health Organization, 2024. International Health Regulations (2005), as amended in 2024; entry into force 19 September 2025 [online]. Geneva: World Health Organization. Disponível em: https://apps.who.int/gb/bd/pdf_files/IHR_2014-2022-2024-en.pdf [Consultado em 24 de Julho de 2026]
- 15. WHO Regional Office for Africa, African Medicines Agency, 2024. Framework agreement for collaboration [online]. Brazzaville: WHO Regional Office for Africa. Disponível em: https://www.afro.who.int/news/who-and-african-medicines-agency-launch-l…
- 16. Gavi, the Vaccine Alliance. (2024). African Vaccine Manufacturing Accelerator (AVMA). Geneva: Gavi, the Vaccine Alliance
- 17. World Health Organization. Fourteenth General Programme of Work, 2025–2028. Geneva: World Health Organization; 2025. Disponível em: https://www.who.int/about/general-programme-of-work/fourteenth
- 18. WHO Regional Office for Africa. Ending Disease in Africa (ENDISA). Brazzaville: WHO Regional Office for Africa; 2023. Disponível em: https://iris.who.int/handle/10665/373549
- 19. WHO Regional Office for Africa. The Transformation Agenda of the WHO Secretariat in the African Region, 2015–2024. Brazzaville: WHO Regional Office for Africa; 2024. Available from: https://iris.who.int/handle/10665/178621
- 20. World Health Organization. Ebola disease caused by Bundibugyo virus – Democratic Republic of Congo. Disease Outbreak News [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2026 [citado a 9 de Julho de 2026]. Disponível em: https://www.who.int/emergencies/disease-outbreak-news
Anexo dos Quadros
Principais realizações e desafios persistentes durante o período do relatório, por tema
Quadro A1 (13)
O tratamento anti-retroviral protegeu cerca de 21,7 milhões de pessoas; resguardou 28,4 milhões de doses de medicamentos para as DTN; realizou campanhas de combate ao paludismo em 21 países; o índice de abrangência de serviços da CUS chegou a 51 (comparativamente a 30, em 2000).
Serviços essenciais e CUS (Capítulo 2).
A DTP3 foi mantida em 76%; a grande recuperação designada por Big Catch-Up abrangeu 18,3 milhões de crianças (nomeadamente 12,3 milhões de crianças que ainda não haviam recebido dose nenhuma); a vacina antipalúdica foi administrada em 24 países; o VPH em 36.
Vacinação (Capítulo 2)
Os 47 Estados-Membros na sua totalidade adoptaram as alterações de 2024 ao RSI; 71% das ocorrências foram detectadas no prazo de sete dias; o surto de Ébola de Bulape foi contido em 88 dias e convertido numa capacidade permanente.
Segurança sanitária (Capítulo 3)
15 Estados-Membros adoptaram reformas da fiscalidade sobre o tabaco; 21 Estados beneficiaram de um manancial de 139 milhões de dólares destinado a clima e saúde; 46 Estados-Membros implementaram uma política de alimentação saudável.
Melhorar a saúde das populações (Capítulo 4)
Força de trabalho reduzida em ~25% e ~75% transferida para o nível nacional; >8 milhões de dólares americanos em poupanças recorrentes; contribuições voluntárias aumentaram 7%, passando para 769 milhões de dólares; 21 Estados-Membros comprometeram-se a participar na Ronda de Investimentos.
Instituição e financiamento (Capítulo 5)
Acordo sobre Pandemias aprovado com o sistema PABS; alterações do RSI já em vigor; roteiro da Agenda de Lusaca aprovado; operacionalização da Agência Africana de Medicamentos.
Posicionamento da saúde ao nível mundial (Capítulo 6)
As perspectivas para 2027 e o futuro, e as suas implicações para a saúde pública
Quadro A2 (18)
Uma doutrina africana de soberania em saúde consolidada (Accra Reset; Nova Ordem de Saúde Pública; Comité Ministerial de Alto Nível).
Política
Crescimento africano ~4,2% (2026) e ~4,4% (2027); 12 das 20 economias do mundo com crescimento mais rápido são africanas.
Económica
Pagamentos directos de ~36% da despesa com a saúde, acima do limiar de dificuldades em 35 EstadosMembros; défice de financiamento da tuberculose ~3,6 mil milhões de dólares.
Cobertura em planalto (DTP3 76% durante cinco anos; HPV 47% vs. meta de 90%); maior défice de equidade subnacional do mundo; campanhas expostas do ponto de vista financeiro.
A ESPDI relativa ao Ébola de Bundibugyo decorre; a cólera persiste; a média da capacidade de base situa-se nos ~51%; os contextos frágeis estão mais atrasados.
A prevenção permanece subfinanciada; as DNT causam cerca de 37% dos óbitos, o número mais elevado de mortes prematuras por DNT de todas as região da OMS.
Os programas de base residuais no biénio 2026–2027 apresentam um défice de 662 milhões de dólares; promessas ainda não correspondem a desembolsos.
Anexo PABS por resolver; em grande parte, a meta de Abuja não foi atingida; traduzindo o consenso continental em resultados à escala nacional.
Financiamento, parcerias e governação cada vez mais definidos por instituições africanas; apoio externo avaliado pelo alinhamento subjacente aos planos nacionais.
Alargar o espaço orçamental - contudo a saúde tem de o reivindicar; traduzir o crescimento em orçamentos circunscritos rumo à referência de Abuja.
Uma população jovem (~60% abaixo dos 25 anos de idade) e um número recorde de deslocados (12,7 milhões somente na África Ocidental e na África Central).
Social
Aquecimento continental mais rápido do que a média global; impactos em relação à água, ao ar e ao clima; conflitos em partes da Região; <1% do financiamento climático chega à saúde.
Environmental
Saúde digital, dados e IA em grande escala; primeiro investimento sério no fabrico de vacinas, medicamentos e meios de diagnóstico em África.
Technological
Quadro A3 (5)
O quadro a médio prazo: Três horizontes temporais e respectivos produtos assinaláveis
O sprint de curto prazo até 2027 - estabilizar e repor.
Médio prazo até ~2030
Expandir e institucionalizar
Horizonte longo até 2035 Transformar
Quadro A4 (15)
Os sete programas emblemáticos de prestação e respectivos marcos futuros
CSP centrados no distrito e sistemas comunitários
Serviços integrados numa só plataforma; equipas de saúde familiar alargadas a mais Estados-Membros até 2030. Preparação e resiliência do sistema na sua íntegra
Força de trabalho e liderança adequadas Planos orçamentados de investimento na força de trabalho nos 47 Estados-Membros; ensino baseado em competências e desenvolvimento de liderança.
Fabrico regional e aquisição conjunta Ampliação da operacionalização e do alcance da Agência Africana de Medicamentos e do AVMA; mais reguladores de nível de maturidade 3; abastecimento regional de produtos garantido.
Ampliação da operacionalização e do alcance da Agência Africana de Medicamentos e do AVMA; mais reguladores de nível de maturidade 3; abastecimento regional de produtos garantido. Financiamento sustentável e parcerias
Concluir a resposta dada à situação de emergência face ao surto da doença pelo vírus Ebola Bundibugyo, convertendo-a numa capacidade sustentável de segurança sanitária; mitigar o impacto das limitações de financiamento; consolidar os progressos alcançados nos domínios da vacinação e dos cuidados de saúde primários; reforçar as capacidades de modernização do sistema de saúde; e assegurar a aprovação da visão estratégica, bem como a formalização dos pactos nacionais.
Expandir à escala nacional as equipas de saúde familiar e o programa PEN-Plus; fortalecer a produção regional e os mecanismos de aquisição conjunta de produtos de saúde; desenvolver infraestruturas e sistemas de vigilância resilientes às alterações climáticas; e promover uma transição sustentável do financiamento da saúde, assente cada vez mais em recursos nacionais.
Uma Região capaz de financiar, reger e assegurar a prestação do seu próprio sistema de saúde. cuidados comportáveis e fiáveis perto de casa; surtos interrompidos precocemente; sistemas resilientes e financiados internamente, com parceiros catalisadores, não estruturais.
Capacidade de detecção e resposta institucionalizada; continuidade dos serviços essenciais incorporada enquanto requisito na concepção.
Planos orçamentados de investimento na força de trabalho nos 47 Estados-Membros; ensino baseado em competências e desenvolvimento de liderança.
Financiamento interno rumo aos critérios de referência de Abuja; financiamento catalisador e combinado; parceiros alinhados em torno de um plano nacional.
Um dividendo demográfico e um motor de emprego; pressões crescentes sobre os sistemas de saúde em termos de procura, equidade e responsabilização.
A resiliência torna-se uma propriedade do sistema; as prioridades de saúde devem funcionar em mecanismos de financiamento climático e ambiental, e não em isolamento.
Uma oportunidade para avançar em direcção à soberania e à eficiência operacional – mas para mitigar o risco de fosso digital, garantindo uma governação equitativa e robusta dos dados em África.