MOÇAMBIQUE REFORÇA DIÁLOGO NACIONAL PARA INVESTIR NA FORÇA DE TRABALHO EM SAÚDE

Maputo – Terminou na quinta-feira, 19 de Março, na cidade de Maputo, o Diálogo Nacional de Políticas e Investimento na Força de Trabalho para Saúde, reunindo decisores políticos, parceiros de cooperação, sector privado e ordens profissionais para discutir soluções para um dos principais desafios do sistema de saúde: a escassez e distribuição desigual de profissionais.

@ WHO / Tatiana Daniel
O evento, que teve duração de dois dias, foi organizado pelo Ministério da Saúde (MISAU), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçando o compromisso conjunto com o fortalecimento do sistema de saúde em Moçambique.
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Na sessão de abertura, o Ministro da Saúde, destacou a necessidade de transformar evidência em acção concreta “Este diálogo representa uma oportunidade estratégica para alinharmos políticas e investimentos que respondam, de forma sustentável, às necessidades da nossa população, garantindo uma força de trabalho em saúde mais preparada, distribuída e resiliente,” disse o dirigente, Dr Ussene Hilário Isse.
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Para orientar este diálogo, foram apresentados os principais resultados da Análise do Mercado de Trabalho em Saúde (AMTS) 2023, que evidenciam não só o défice de profissionais, mas também desafios relacionados com financiamento, retenção e capacidade formativa. Com o apoio da OMS, The Global Fund e contribuição do Observatório de Recursos Humanos para Saúde de Moçambique, a análise revela que o país conta com cerca de 18,5 profissionais de saúde por cada 10 000 habitantes, muito abaixo do limiar necessário para alcançar a Cobertura Universal de Saúde.
Actualmente, a força de trabalho responde a apenas 44% das necessidades da população e, mantendo-se as tendências actuais, esse número poderá incrementar até 2030. Persistem também desigualdades significativas na distribuição, com 64% dos profissionais concentrados em áreas urbanas, enquanto grande parte das comunidades está em zonas rurais.
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Na sua intervenção, o Representante da OMS em Moçambique, sublinhou que os desafios identificados exigem uma resposta integrada e coordenada entre diferentes sectores. “Os resultados mostram que os desafios da força de trabalho em saúde vão além da formação, estando fortemente ligados à capacidade de financiamento, absorção e retenção. Responder a estas lacunas exige uma abordagem integrada e uma acção concertada de todo o Governo e parceiros,” Dr Severin Von Xylander.
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A discussão que se seguiu contou com a participação de Adelheid Onyango, Directora do Cluster de Sistemas e Serviços de Saúde da OMS para a Região Africana, que trouxe uma perspectiva regional sobre os desafios e oportunidades.
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“Investir na força de trabalho em saúde não é apenas uma prioridade nacional, mas um imperativo para alcançar a Cobertura Universal de Saúde até 2030. Isso exige decisões estratégicas que alinhem formação, emprego e financiamento, com o envolvimento do sector privado e dos parceiros,” reforçou a Dra Adelheid Onyango.
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O diálogo deverá contribuir para a construção de um consenso multissectorial e para o desenvolvimento de um Plano Nacional de Investimento da Força de Trabalho para Saúde, alinhado com as prioridades do país e compromissos globais.
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Mais do que um encontro técnico, esta iniciativa da OMS em parceria com o MISAU e apoio da The Global Fund, representa um passo decisivo para garantir que Moçambique disponha de profissionais de saúde suficientes, qualificados e distribuídos de forma equitativa, condição essencial para assegurar o acesso universal aos cuidados de saúde.
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