Cuidar da Saúde Mental: Histórias da Provİncia de Gaza

Gaza, Moçambique — Programa Conjunto OMS–UNICEF–MISAU para a Saúde Mental, Bem-Estar Psicossocial e Desenvolvimento da Criança e Adolescente


Cerca de 46 profissionais de saúde da Província de Gaza participaram numa formação  dedicada ao cuidado da saúde mental das crianças e adolescentes. O objetivo central foi reforçar a capacidade dos serviços de saúde para identificar e tratar casos de ansiedade, depressão e outras perturbações mentais e de comportamento, usando ferramentas práticas e fáceis de aplicar nos cuidados de saude primários. Esta intervenção torna-se ainda mais urgente quando analisamos os dados do Inquérito demográfico de saúde 2022- 2023,onde 28% das mulheres e 10% dos homens , entre 15 á 49  anos apresentam sintomas de ansiedade, enquanto 10% das mulheres e 2% dos homens manifestam sinais de depressão. Apesar disso, apenas 7% das mulheres e 19% dos homens que sofrem destes sintomas procuram ajuda. 
Segundo  O Inquérito Nacional de Prevalência e Factores de Risco Doenças Crónicas Não Transmissíveis ‘’ inCRÓNICA’’ 2024,9,8% da população reporta consumo episódico elevado de álcool, um factor de risco adicional para o agravamento das perturbações mentais.

A formação  melhorou ,  as habilidades e as competências dos profissionais de saúde e vai  contribuir para expandir o acesso aos cuidados de saúde mental garantindo que mais crianças, adolescentes e famílias recebam o apoio de que necessitam.
 

Florence Erb
No Centro de Saúde de Chibuto, o Serviço Amigo do Adolescente e Jovem (SAAJ) conta com três enfermeiras e dois técnicos de saúde. Este centro recebe, em média, cerca de 3’000 adolescentes e jovens por ano, sendo a maioria raparigas entre os 15 aos 24 anos, que procuram informações, aconselhamento, e cuidados de saúde. Para muitos, o SAAJ é um espaço seguro — um ponto de entrada fundamental onde podem falar livremente sobre as suas emoções, desafios e necessidades.
Os profissionais de saúde receberam as ferramentas práticas do protocolos, adaptadas à realidade moçambicana, para melhorar a identificação e o tratamento de perturbações mentais em crianças e adolescentes.
Mas a formação é apenas o início. Equipas multidisciplinares continuam a visitar as unidades sanitárias para reforçar competências, acompanhar casos reais e garantir que nenhum adolescente fique sem apoio. Para muitos profissionais, é a primeira vez que dispõem de um instrumento claro e estruturado para lidar com a saúde mental.
Para apoiar os profissionais de saúde na prevenção e deteção precoce de comportamentos de risco, foi desenvolvido um diagrama clínico de decisão baseado nos protocolos nacionais.
Este instrumento oferece entre outro um passo a passo simples e estruturado para avaliar o consumo de álcool ou outras substâncias: inicia com perguntas de triagem sobre frequência, quantidade e impacto no funcionamento diário, segue para a identificação de sinais de alerta — como perda de controlo, episódios de intoxicação, sintomas de abstinência ou risco social — e orienta o profissional sobre quando é necessária uma intervenção breve, um aconselhamento motivacional ou o referenciamento imediato para serviços especializados.
Ao fornecer um percurso claro e padronizado, esta ferramenta ajuda os profissionais a reconhecer rapidamente situações que requerem atenção particular e a atuar de forma segura, eficaz e alinhada com os protocolos sanitários nacionais.
Após a formação, as equipas recebem supervisão técnica da OMS e do MISAU para garantir a aplicação correta dos protocolos na prática diária. Durante estas visitas, os supervisores revêm registos clínicos, observam consultas reais e ajudam os profissionais a resolver situações desafiantes. O enfoque está na qualidade do atendimento e na capacidade de reconhecer sinais que podem passar despercebidos numa rotina agitada. Esta aproximação técnica permite reforçar o que já foi aprendido e consolidar novas práticas no dia a dia das unidades sanitárias.
No CS de Chókwé a enfermeira utiliza o protocolo para acompanhar casos reais. As equipas de monitoria participam nas consultas para apoiar os enfermeiros e profissionais de saúde em tempo real, ajudando-os a aplicar corretamente os guiões de avaliação, a interpretar sintomas e a definir o encaminhamento mais seguro para cada caso.
O SAAJ oferece atendimento integrado, combinando sobre a saúde mental, saúde sexual e reprodutiva, nutrição e outros. Para muitos jovens, o SAAJ é um local onde podem falar sobre ansiedade, tristeza profunda ou violência. Aqui, são ouvidos em uma zona segura.
Adolescentes, jovens, raparigas e rapazes encontram apoio para esclarecer dúvidas sobre a sua saúde, receber contracepção , orientação sobre a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e do HIV/SIDA, tratamento e referências para outros serviços quando necessário — de forma gratuita e confidencial.
Em consulta, profissionais do CS de Mukhotwene fazem a revisão dos guiões de avaliação e discutem formas de apoiar adolescentes. Cada consulta permite identificar emoções, compreender o contexto social de cada jovem e avaliar riscos. Muitas vezes, os profissionais trabalham em conjunto, discutindo casos e ajustando planos de acção simples e realistas para apoiar o adolescente e a família. Esta abordagem colaborativa cria um ambiente de cuidado mais humano e estruturado.
No SAAJ de Chókwè, durante uma consulta, uma jovem de 17 anos procurou ajuda pela primeira vez após descobrir que estava com três meses de gravidez. A enfermeira explicou-lhe a importância do acompanhamento pré-natal e, como parte da rotina de cuidados, aconselhou a realização de vários testes para monitorar a sua saúde e identificar e tratar complicações para garantir um seguimento adequado, e assegurar o desenvolvimento saudável do bebé. A Jovem recebeu de imediato as primeiras orientações sobre cuidados essenciais na gravidez, alimentação, saúde mental e os passos seguintes para garantir uma gestação segura.
Os enfermeiros e profissionais de saúde do SAAJ enfrentam diariamente uma grande variedade de situações clínicas: sinais de ansiedade ou depressão, isolamento social, efeitos de consumo substâncias ou alcohl. Por isso, é essencial que os profissionais disponham de ferramentas clínicas padronizadas, como os guiões e os protocolos.
Supervisores provinciais e nacionais observam consultas e avaliam a implementação real das competências aprendidas. Durante estas visitas, os supervisores fazem observações diretas, analisam fichas de casos, reforçam boas práticas e orientam melhorias. Também discutem barreiras enfrentadas nos serviços — como carga de trabalho, falta de privacidade ou limitações de materiais — e ajudam a encontrar soluções.
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