Lado a lado com a ciência: como Moçambique contribui para a saúde global

Lado a lado com a ciência: como Moçambique contribui para a saúde global

Maputo, 7 de Abril de 2026 — Neste Dia Mundial da Saúde, celebrado sob o lema “Juntos pela Saúde. Lado a lado com a Ciência”, o mundo reafirma a importância da ciência como fundamento essencial para proteger e promover a saúde de todas as pessoas, em todos os lugares. Em Moçambique, este princípio reflecte‑se tanto na expansão contínua do acesso a serviços de saúde de qualidade como no contributo activo do país para o avanço científico global.

Com o apoio técnico permanente da Organização Mundial da Saúde (OMS) e em colaboração com uma vasta rede de parceiros, Moçambique tem desenvolvido soluções inovadoras e baseadas em evidências que não só fortalecem a resiliência do sistema de saúde e melhoram a vida das comunidades, como também informam estratégias globais e alimentam o conhecimento científico internacional.

Ao longo das últimas décadas, Moçambique vem assumindo um papel de destaque no panorama africano da investigação de vacinas e saúde pública. Instituições de referência, com ênfase para o Instituto Nacional de Saúde (INS), o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) e afiliados, como o Centro de Investigação e Treino da Polana Caniço (CISPOC), têm liderado avanços científicos significativos. Estes centros conduzem estudos clínicos e epidemiológicos de grande relevância, à medida que reforçam as capacidades científicas e laboratoriais do país e da região.

Entre os progressos mais notáveis, destaca‑se a candidatura do Laboratório Nacional de Referência da Tuberculose para se certificar como Laboratório Supranacional da OMS, um marco estratégico que reafirma o papel de Moçambique na vigilância e no diagnóstico da tuberculose, não apenas a nível nacional, mas também ao serviço dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

No que diz respeito ao desenvolvimento e introdução de novas vacinas, destaca-se a participação contínua do país em ensaios clínicos de vacinas contra o HIV em colaboração com redes científicas internacionais, bem como a avaliação de novas combinações de vacinas, vectores e anticorpos com potencial para prevenir a infecção.

À semelhança disso, Moçambique tem-se consolidado como actor-chave na luta global contra a malária, onde, além de ter contribuído para a geração de evidências no desenvolvimento da RTS,S, a primeira vacina contra a malária recomendada pela OMS. Centros de investigação moçambicanos estiveram novamente envolvidos em estudos que apoiaram o desenvolvimento e a recomendação da R21/Matrix‑M, um avanço sem precedentes na protecção de crianças contra a referida doença. Desta vez, o país tornou-se também um dos pioneiros na sua introdição, tendo iniciado uma campanha de vacinação na Zambézia em 2024, expandindo-a faseadamente para outras províncias com alta carga de malária ao longo de 2025.

Para além do campo científico, Moçambique tem também desempenhado um papel crucial na criação de evidências operacionais na introdução e implementação de novas vacinas no contexto africano, posicionando-se como exemplo de adopção precoce e expansão em larga escala, sobretudo em vacinas prioritárias para a saúde infantil, como é o caso da vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV). A primeira campanha nacional contra o HPV foi levada a cabo no ano transacto, alcançando mais de 3 mil milhares de raparigas entre os 12 e os 18 anos, em todas as províncias do país, um passo decisivo na prevenção do cancro do colo do útero.

Após quase quatro anos de interrupção global causada pela escassez de vacinas orais contra a cólera, o país voltou a destacar-se no cenário internacional, tornando‑se o primeiro do mundo a retomar campanhas preventivas de vacinação contra esta doença, abrangendo cinco áreas de alto risco, com um total de 1 788 408 pessoas imunizadas apenas na primeira ronda de 2026. Esta decisão reflectiu o reconhecimento de três factores determinantes, nomeadamente, o elevado risco epidemiológico associado à vulnerabilidade às mudanças climáticas; a capacidade comprovada de implementação atempada de campanhas massivas de vacinação; e a necessidade urgente de priorizar acções preventivas que protejam as comunidades, incluindo em contextos fora do calendário de rotina.

Neste Dia Mundial da Saúde, Moçambique junta-se ao apelo global para reforçar a confiança na ciência e promover soluções baseadas em evidência. Sustentado pela colaboração entre o Governo de Moçambique, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e parceiros estratégicos, este progresso assegura que a evidência científica se traduza em políticas e serviços que cheguem a quem mais precisa. Porque quando a ciência está ao serviço de todos e em todos os lugares, torna-se uma das ferramentas mais poderosas para salvar vidas, proteger o futuro e construir sociedades mais saudáveis.

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