Calumbo reforça esforço nacional de vacinação contra a poliomielite
Banhado pelo imenso rio Kwanza, o município do Calumbo é conhecido pela resiliência e espírito trabalhador da sua população. Entre os dias 15 e 17 de Agosto, o município juntou-se a todo o país na Primeira Ronda da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, uma operação de grande escala que mobilizou mais de 50 mil profissionais de saúde e voluntários para proteger cerca de 7 milhões de crianças menores de cinco anos em todos os 326 municípios de Angola.
No Calumbo, dezenas de equipas percorreram casas, mercados, igrejas e paragens de táxi para garantir que nenhuma criança ficasse sem receber as duas gotas da vacina oral contra a pólio. Entre os rostos desta mobilização está Francisco Manuel, 26 anos, estudante de Educação Física e Desporto, que começou como mobilizador comunitário e hoje é supervisor de equipas de vacinação.
“O que me motiva a ser supervisor é poder ensinar os meus colegas a trabalhar e também falar com a população para proteger as vidas das nossas crianças”, conta.
Para Francisco, cada formação recebida é uma arma contra a desinformação. “Graças às formações recebidas, conseguimos mudar mentalidades. Hoje a comunidade entende que a vacina salva vidas e que nenhuma criança deve ficar sem ser vacinada”. Francisco tornou-se uma referência para jovens e famílias no município. Além da luta contra a pólio, dedica-se a acções voluntárias no Hospital Municipal de Icolo e Bengo.
Ao seu lado está Rosa Joaquim, Supervisora da Saúde Infantil do município e coordenadora da área do Calumbo Vila, onde a meta era vacinar 9.002 crianças. Enfermeira com mais de 20 anos de experiência em pediatria, Rosa conhece de perto os desafios e conquistas desta missão.
“As zonas que antes rejeitavam a vacina, hoje já aceitam. Mudámos a estratégia: recrutámos pessoas locais, líderes respeitados nos bairros, que ajudaram a mobilizar as famílias. Também realizámos uma pré-campanha de sensibilização, que facilitou muito a adesão”, explica.
A experiência de Rosa e a paixão de Francisco mostram como a luta contra a pólio é feita por pessoas comuns, movidas por amor à sua comunidade, a trabalhar por um futuro livre da pólio. Mas esta mobilização não é apenas local: faz parte de um esforço nacional e global para erradicar de vez a poliomielite.
De casa em casa, de bairro em bairro, vacinadores em todo o país estão a dar esperança a milhões de famílias. Apenas com a colaboração de todos será possível garantir que nenhuma criança em Angola seja deixada sem vacinar.