Angola reforça compromisso com um futuro sem tabaco

Angola reforça compromisso com um futuro sem tabaco

Angola assinalou o Dia Mundial Sem Tabaco com uma mobilização nacional que incluiu uma marcha simbólica, na qual estiveram presentes representantes do Governo, do Sistema das Nações Unidas, do corpo diplomático, de parceiros institucionais, da sociedade civil e, em particular, os jovens. 

A iniciativa reafirmou o compromisso colectivo com a protecção da saúde pública e com a construção de um futuro mais saudável para as gerações futuras. Sob o lema global “Desmascarar o Apelo — Combatendo o Vício da Nicotina e do Tabaco”, a marcha destacou a necessidade urgente de expor as estratégias utilizadas pela indústria do tabaco para tornar os seus produtos mais atrativos, particularmente entre os jovens, bem como de intensificar as acções de prevenção e controlo.

Durante a cerimónia, o Governo angolano, representado pelo Secretário de Estado da Saúde para a Área Hospitalar, Dr. Leonardo Europeu, sublinhou a importância de transformar esta data num verdadeiro ponto de viragem. 

“Esta data não é apenas um momento de reflexão global, mas também um apelo à acção. Em Angola, assumimos o compromisso inabalável de inverter esta trajetória, protegendo a vida colectiva e promovendo o desenvolvimento sustentável.”

A mobilização ocorre num contexto em que os dados nacionais evidenciam, simultaneamente, progressos e desafios relevantes. De acordo com o Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS), a prevalência do consumo de tabaco em Angola situa-se entre 14% e 14,3% nos homens e entre 1,8% e 2% nas mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 49 anos. No entanto, destaca-se a preocupação com o aumento significativo do consumo entre homens de 45 a 49 anos, que atinge 25%, evidenciando o risco de progressão ao longo da vida e a necessidade de reforçar a prevenção precoce.

A coordenadora residente das Nações Unidas em Angola, Armanda Mukwachi, reforçou a dimensão colectiva e estratégica da marcha, alertando para as novas formas de promoção do consumo de produtos de nicotina apresentados como modernos e menos nocivos, mas que continuam a representar um elevado risco de dependência.

“Hoje, caminhámos juntos não apenas pela nossa saúde, mas também por um futuro mais forte para Angola. Cada passo dado é um passo contra a dependência e a favor da vida e do futuro dos nossos jovens.”

Angola tem registado progressos importantes na luta contra o tabagismo, em conformidade com a Convenção-Quadro da OMS para o Controlo do Tabaco (CQCT). Entre as principais medidas, destacam-se a proibição de fumar em espaços públicos fechados, a restrição da publicidade ao tabaco e o reforço da política fiscal.

Um avanço significativo foi alcançado com o aumento da taxa de tributação dos produtos de tabaco de 10% para 50%, bem como com a decisão de alocar 60% dessas receitas ao sector da saúde, transformando os impostos sobre o tabaco em investimento directo na prevenção, no tratamento e na promoção da saúde.

Estas medidas reflectem o reconhecimento de que as políticas públicas eficazes devem ser acompanhadas de uma mobilização activa da sociedade. Durante a marcha, o Governo de Angola e os seus parceiros reafirmaram o compromisso de intensificar os esforços para reduzir o consumo de tabaco, promover ambientes saudáveis e garantir uma vida mais longa e productiva para todos os angolanos.

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Olívio Gambo

Oficial de Comunicação
Escritório da OMS em Angola
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