África Austral enfrenta grave surto de cólera devido a inundações e deslocamentos

África Austral enfrenta grave surto de cólera devido a inundações e deslocamentos

Brazzaville — Os casos de cólera na região da África Austral aumentaram mais de sete vezes nas primeiras seis semanas de 2026, por comparação com o mesmo período do ano anterior, devido a graves inundações provocadas por ciclones, infra-estruturas danificadas e abastecimento inadequado de água e saneamento entre as populações deslocadas, revela uma análise da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entre 1 de Janeiro e 15 de Fevereiro de 2026, foram comunicados, no total, 4320 casos e 56 mortes em cinco países da África Austral, em contraste com os 586 casos e as 11 mortes que foram registados no período homólogo de 2025. Este aumento contrasta com a diminuição geral do número de casos em todo o continente, que registou uma queda de 47% e 59%, respectivamente, em comparação com 2025 e 2024.

Na Região Africana, há no total 13 países que estão actualmente a comunicar a existência de surtos de cólera. Na África Austral, há casos registados no Maláui, em Moçambique, na Namíbia, na Zâmbia e no Zimbabué. Desde 2023, a África Austral tem sido o principal território de incidência de cólera na Região Africana, tendo-se verificado fortes surtos na estação ciclónica de 2023-2024. Até agora, neste ano, Moçambique é responsável por 90% dos casos de cólera na África Austral. O país sofreu inundações severas, as quais afectaram mais de 700 000 pessoas.

Neste momento, a África Austral atravessa uma estação ciclónica activa, a qual costuma prolongar-se entre Janeiro e Abril. Nos territórios propensos a ciclones, continua a verificar-se um nível de precipitação acima da média. Foram identificadas 27 áreas de risco elevado em cinco países, com vulnerabilidades que incluem infra-estruturas precárias de água, saneamento e higiene, bem como surtos recorrentes de cólera.

“O forte aumento dos casos de cólera na África Austral é um claro sinal de que as crises relacionadas com o clima estão a agravar os riscos para a saúde pública”, afirmou a Dr.ª Marie Roseline Darnycka Belizaire, Directora Regional de Emergências do Escritório Regional da OMS para a África. “Estamos a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades nacionais para prestar assistência médica de emergência e, ao mesmo tempo, a reforçar a preparação e a resiliência do nosso sistema de saúde, de modo que as comunidades fiquem mais protegidas do impacto crescente das crises relacionadas com o clima.”

De acordo com a análise da OMS, a África Austral terá de enfrentar, entre Março e Agosto, um período determinante, prevendo-se, nos cenários mais prováveis, entre 12 000 e 22 000 novos casos de cólera. Há vários factores que estão a contribuir para os surtos de cólera na África Austral: ciclones tropicais; as inundações que assolaram o Maláui, Moçambique, a África do Sul e a Zâmbia; conflitos e deslocação de populações; e sistemas inadequados de abastecimento de água nas cidades.

A OMS e os seus parceiros têm vindo a apoiar a resposta de emergência em curso, nomeadamente através do fornecimento de medicamentos contra a cólera e outros bens essenciais de saúde, do reforço da coordenação da resposta sanitária e da melhor aplicação de medidas de vigilância e prevenção da doença.  

Para proteger a saúde das populações e evitar que a situação se deteriore, é fundamental intensificar rapidamente as medidas de saúde pública, incluindo a vacinação contra a cólera, a vigilância da doença e a melhoria dos serviços de água e saneamento. Na sua maioria, as pessoas com cólera sofrem de diarreia leve ou moderada e podem ser tratadas com uma solução de reidratação oral (SRO). No entanto, a doença pode progredir rapidamente, pelo que é essencial começar o tratamento desde cedo, de modo a salvar vidas. Os doentes com formas graves da doença precisam de receber fluidos intravenosos, SRO e antibióticos.

A cólera é uma ameaça mundial de saúde pública e é um indicador da desigualdade e da falta de desenvolvimento social e económico. O acesso à água potável, saneamento básico e higiene é essencial para prevenir a cólera e outras doenças transmitidas pela água.

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