Mensagem do Director Regional da OMS para áfrica, Dr. Luis Gomes Sambo, por Ocasião do Dia Mundial de Luta Contra o Cancro 2012

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É com um enorme sentido de compromisso que me junto à comunidade internacional para comemorar o Dia Mundial de Luta contra o Cancro, que se assinala hoje, 4 de Fevereiro de 2012. O tema da comemoração deste dia é "Juntos, é possível", e realça que só com cada pessoa, organização e governo a fazer a sua parte é que o mundo poderá conseguir reduzir as mortes permaturas por cancro.

É cada vez mais evidente que a Região Africana da OMS enfrenta um grande desafio de saúde pública devido ao aumento do fardo do cancro. As projecções apontam para que ocorram em África cerca de 1,6 milhões de novos casos de cancro, com 1,2 milhões de mortes, até 2030. As formas mais comuns da doença na Região são os cancros do cólo do útero, da mama, do fígado, da próstata, o sarcoma de Kaposi e o linfoma de Hodgkin's.

Entre os muitos factores de risco evitáveis de cancro contam-se: o tabaco, o uso nocivo do álcool, a alimentação pouco saudável; a inactividade física; algumas infecções crónicas; certas substâncias químicas nocivas, como os pesticidas e o amianto, e ainda a exposição à radiação ultravioleta.

Os conhecimentos científicos reunidos durante muitas décadas indicam que pelo menos um terço de todos os casos de cancro pode ser prevenido. A prevenção é a melhor estratégia a longo prazo e a que apresenta a melhor relação custo-benefício para o combate ao cancro. Por exemplo, a implementação eficaz da Convenção-Quadro da OMS para a Luta Antitabágica pode, em última instância, fazer baixar as taxas de morbidade e mortalidade associadas aos cancros do pulmão e da garganta. Do mesmo modo, a redução do consumo ou a abstinência do álcool podem reduzir o risco de desenvolver cancro do fígado e do aparelho digestivo.

A alimentação saudável, principalmente as dietas ricas em fruta e legumes podem ter um efeito protector contra muitas formas de cancro. Com o efeito oposto, o consumo em excesso de carne vermelha e em conserva pode estar associado a um risco acrescido de cancro colo-rectal. A actividde física regular, juntamente com um peso corporal normal, podem reduzir consideravelmente o risco de cancros do aparelho digestivo, ginecológicos e da mama.

Quase 26% dos cancros em África estão ligados a infecções crónicas, e 36% das mortes pela doença são causadas por cancros de origem infecciosa, como os cancros do fígado e do colo do útero, o sarcoma de Kaposi e os linfomas . As medidas preventivas, incluindo a vacinação em grande escala contra o vírus da Hepatite B, contra o vírus do papiloma huma e o tratamento adequado das infecções crónicas, contribuirão para reduzir o risco de cancro.

Deverão ser executadas medidas de prevenção individual e colectiva para evitar o contacto das pessoas com agentes cancerígenos integrados na poluição ambiental do ar, da água, do ambiente de trabalho e dos solos.

Continuo convicto de que a implementação destas medidas de prevenção primária irá reduzir significativamente o número de casos de cancro na Região. Devemos igualmente permancer atentos aos sinais de alerta para podermos detectar a doença em fase inicial. A par das medidas de prenvenção primária, a detecção precoce do cancro aumenta substancialmente as hipóteses de tratamento com êxito.

Os países da Região Africana da OMS aprovaram uma estratégia regional para a prevenção e controlo do cancro em 2008, de modo a intensificar eficazmente as intervenções prioritárias, incluindo: a elaboração de políticas, legislação e regulamentação; a mobilização e afectação adequada de recursos; as parcerias e a coordenação; a formação do pessoal de saúde; a aquisição de infra-estruturas e equipamento adequado para a prevenção primária, secundária e terciária; e a informação estratégica, vigilância e investigação.

Os sistemas nacionais de saúde deverão ser orientados para a promoção e apoio dos estilos de vida saudáveis, no âmbito da abordagem dos cuidados de saúde primários, por forma a se fazerem escolhas mais saudáveis e adoptar-se padrões de estilos de vida que fomentem a boa saúde.

O cancro continua a ser um dos maiores "assassinos silenciosos" que ameaçam o desenvolvimento socioeconómico de África.

Exorto os governos a implementarem as estratégias recomendadas pela OMS para a prevenção e controlo do cancro, a Declaração de Brazzaville e a Declaração de Moscovo, a Declaração Política da reunião de Alto Nível da ONU sobre as DNT, para que se possa reduzir drasticamente o fardo do cancro na Região.

A OMS vai continuar a colaborar com os parceiros regionais e internacionais de desenvolvimento para prestar apoio técnico aos países e aumentar a sensibilização do público para as medidas de prevenção necessárias para travar o curso da doença.

Estou confiante de que, juntos, conseguiremos torná-lo realidade.

Muito obrigado.

Destaques RDO

rds-report-2010-pt-tnActividades da OMS na Região Africana 2010
Relatório Anual do Director Regional [pdf 1.3Mb]

 reaching-mdgs-tnTowards reaching the health-related millennium development goals: progress report and the way forward
Report of the Regional Director [pdf 6MB]

strat-15-ptPara Alcançar o Desenvolvimento Sustentável da Saude na Região Africana:
Orientações Estratégicas para a OMS, 2010-2015
[pdf 1.1Mb]

rd-report-2008-2009_afr_rc60_2_1_poActividades da OMS na Região Africana 2008-2009
Relatório Bienal do Director Regional
[pdf 3.3Mb]