Hoje é o Dia Mundial da Tuberculose (TB). É um dia em que o mundo é relembrado da ameaça que a TB continua a colocar à humanidade, a despeito da existência de intervenções eficazes de controlo. Tal como em 2010, o tema do Dia Mundial da Tuberculose deste ano volta a ser a “Inovação”; sendo o lema “Em marcha contra a tuberculose”.
A tuberculose é um grave problema de saúde pública na Região Africana da OMS. O Relatório Mundial da OMS de Controlo da TB, de 2010, indica que a Região Africana, que representa apenas 12% da população mundial, registou 23% do total de casos notificados a nível mundial em 2010. O fardo elevado da TB está ligado ao surgimento de novos desafios, como a co-infecção TB/VIH e a TB multirresistente aos medicamentos.
Apesar de os Estados-Membros terem adoptado quase universalmente a estratégia “Travar a TB”, a implementação plena da mesma continua a ser fraca. Por exemplo, apenas 49% dos casos estimados de TB são detectados anualmente. Em 2008, apenas 12 países na Região atingiram a meta internacionalmente recomendada de detecção de pelo menos 70% de novos casos. A Região não dispõe de um controlo total dos tratamentos, sendo que apenas 13 países atingiram a meta internacionalmente recomendada de 85% de finalização do tratamento seguindo a terapia recomendada.
A ocorrência da co-infecção TB/VIH e de formas da doença resistentes aos medicamentos complica o controlo da TB na Região. Em média, 35% do total de doentes de TB na Região estão também infectados pelo VIH. Até à data, 33 países da Região notificaram pelo menos um caso de TB Multirresistente (TB-MR) e 8 notificaram pelo menos um caso de TB Ultra-resistente (TB-UR).
Os principais obstáculos que não permitem acelerar a intensificação das actividades de controlo incluem a inexistência ou a inadequação das unidades de saúde para realizar testes e diagnóstico rápido e preciso ao nível comunitário; a duração prolongada do tratamento (6 a 8 meses), dificuldades no diagnóstico de TB resistente aos medicamentos e uma gestão descoordenada dos programas de TB e VIH nos países. O Plano Mundial para Travar a TB (2011-2015) definiu novas metas para o controlo da TB, transformando a luta contra a TB numa luta para eliminar a doença, o que exige medidas específicas a tomar tanto pelos países quanto pelas instituições públicas e privadas e outros intervenientes no combate à doença.
São necessárias acções inovadoras para lidar com os contínuos desafios da TB. As inovações são necessárias no desenvolvimento de novas vacinas e no incremento dos testes de diagnóstico rápido, para reduzir o risco de transmissão da TB. Para além disso, há uma necessidade urgente de estratégias que reforcem os sistemas de saúde e envolvam todos os prestadores de cuidados de saúde (incluindo os do sector privado) no tratamento da TB. É fundamental melhorar o acesso aos cuidados de saúde em geral, o que irá facilitar a detecção precoce da TB entre as populações vulneráveis. Igualmente importante é garantir a realização de testes completos do VIH para todos os doentes de TB, bem como aumentar o acesso aos cuidados para quem se encontra duplamente infectado com o VIH e a TB.
O tema e o mote do Dia Mundial da Tuberculose 2011 responde directamente a estas necessidades. Neste sentido, a OMS e os parceiros estão a apoiar a investigação para o desenvolvimento de novos instrumentos de diagnóstico e medicamentos para acelerar a identificação de casos e encurtar a duração do tratamento. A recente aprovação do novo teste de diagnóstico rápido para a TB e a TB resistente aos medicamentos pela OMS e pelos parceiros é disto um bom exemplo. A OMS vai apoiar os países a adaptarem o novo teste rápido, que combina ambos os diagnósticos num único teste. A OMS está também a apoiar a introdução de cursos de formação sobre a TB em universidades e instituições de ensino superior da Região, com o intuito de desenvolver a capacidade dos profissionais de saúde para os cuidados em TB e também para reforçar os sistemas de saúde em geral. O lançamento do primeiro curso está previsto para Abril de 2011 no Instituto Regional de Saúde Pública, em Ouidah, na República do Benim.
Por conseguinte, gostaria de aproveitar esta ocasião para apelar às autoridades nacionais que reforcem as Parcerias nacionais para Travar a TB, de modo a poderem mobilizar recursos adicionais para o controlo da doença provenientes de governos, sector privado e outros parceiros, permitindo que os países progridam no sentido da eliminação da TB. Isto é particularmente importante no contexto da crise económica e financeira que a nossa Região atravessa.
A apenas quatro anos da data limite para a consecução dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, estas e muitas outras acções são urgentemente necessárias para garantir progressos no controlo da TB na Região Africana. Os governos e os parceiros devem juntar as mãos no esforço renovado de luta contra a TB na nossa Região.
Estou convicto de que, juntos, poderemos fazer uma enorme diferença e que, graças aos nossos esforços colectivos, a TB deixará de ser um problema de saúde pública em África.
Unidos, façamos uso de mais Inovação, em marcha contra a TB em 2011 e para o futuro.
Muito obrigado.
Actividades da OMS na Região Africana 2010
Relatório Anual do Director Regional [pdf 1.3Mb]
Towards reaching the health-related millennium development goals: progress report and the way forward
Report of the Regional Director [pdf 6MB]
Para Alcançar o Desenvolvimento Sustentável da Saude na Região Africana:
Orientações Estratégicas para a OMS, 2010-2015
[pdf 1.1Mb]
Actividades da OMS na Região Africana 2008-2009
Relatório Bienal do Director Regional
[pdf 3.3Mb]