É com grande satisfação que me junto hoje, dia 4 de Fevereiro de 2011, ao resto do mundo na comemoração do Dia Mundial de luta contra o Cancro, subordinado ao tema “O cancro pode ser prevenido”.
O tema deste ano, que incide nas medidas de prevenção, ajuda a sensibilizar as pessoas para a doenças e para as formas de prevenir, detectar ou tratar o cancro.
Entre os múltiplos factores de risco que provocam cancro mencionam-se: a hereditariedade, os estilos de vida, sobretudo o consumo de tabaco; alimentação pouco saudável e exposição a radiação ultravioleta; a presença de químicos nocivos, como pesticidas e amianto, no ambiente de trabalho e no meio ambiente, e as infecções crónicas.
Na luta contra a doença, os doentes que a ela sobrevivem enfrentam um trauma e uma agonia mental colossais. Ao assinalar-se em todo o globo o Dia Mundial de luta contra o Cancro, está a ajudar-se os doentes a criarem resiliência e a ganharem esperança. Neste dia, devemos estar unidos na luta contra uma doença que se tornou num dos maiores problemas de saúde pública nas últimas décadas.
A comemoração do Dia Mundial de luta contra o Cancro deste ano coincide com a próxima Cimeira de Alto Nível das Nações Unidas sobre as Doenças Não Transmissíveis (DNT), a realizar em Setembro de 2011, data em que a ONU irá realizar pela primeira vez uma cimeira centrada especificamente nas DNT.
O fardo do cancro em África é enorme e está a aumentar. A Organização Mundial da Saúde calcula que, em 2008, havia 681 000 novos casos de cancro em África e que 512 000 pessoas teriam morrido devido à doença. Prevê-se que, até 2030, caso a tendência continue, este números subam para 1,6 milhões de novos casos, com 1,2 milhões de óbitos. Esta tendência está principalmente relacionada com a urbanização acelerada, os ambientes de trabalho pouco saudáveis e o recurso ao trabalho infantil, que aumentam a exposição aos factores de risco que provocam o cancro. A situação é agravada pelo elevado número de cancros relacionados com infecções nos doentes com VIH/SIDA e pelos custos elevados do tratamento moderno do cancro, que é incomportável para a maiora dos doentes em África.
Por conseguinte, são necessárias medidas urgentes para fazer face à doença, um dos assassinos silenciosos que ameaçam o desenvolvimento social e o progresso económico.
A epidemia de cancro em África está a intensificar-se, embora a tendência possa ser invertida se os governos, comunidades e parceiros unirem esforços para aumentar os conhecimentos sobre a doença e reduzir os seus factores de risco, através de abordagens como a prevenção e a detecção precoce. Um bom conhecimento da prevenção do cancro ajudará a reduzir o contacto com agentes causadores da doença, em casa e no local de trabalho; aumentará a protecção contra os raios UV nocivos; promoverá hábitos alimentares saudáveis e a actividade física regular e; contribuirá para a prevenção de infecções.
O cancro pode também ser combatido através da educação dos indivíduos, sobretudo as crianças e os adolescentes, e do rastreio das formas mais prevalecentes de cancro. Entre estes, incluem-se o cancro da mama e o cancro do colo do útero, assim como o cancro da próstata, do aparelho digestivo e os cancros relacionados com a actividade profissional. Estas medidas vão ajudar a reduzir a situação actual, em que os casos são detectados tardiamente e o tratamento é menos eficaz e mais caro, com os doentes a sofrerem dores intensas.
A OMS continua empenhada em apoiar os governos e a trabalhar em colaboração com os parceiros nacionais e internacionais para promover políticas e intervenções que protejam os indivíduos e as comunidades do cancro.
Lanço um apelo aos governos, agências e parceiros internacionais para que assimilem e apliquem intervenções com uma boa relação custo-eficácia, aos níveis individual e das comunidades, destinadas a fazer face aos cancros evitáveis. As acções recomendadas incluem: empreender campanhas metódicas de conciencialização; espalhar a palavra de forma diligente; sensibilizar as pessoas para a importância de uma alimentação saudável e da actividade física; desenvolver capacidades para a detecção, prevenção e tratamento do cancro; implementar e intensificar as intervenções de detecção precoce e prestar um tratamento adequado, dando particular atenção ao bem-estar do doente e ao apoio espiritual.
Todos os membros da sociedade devem proteger a sua saúde, prevenindo o cancro, procurando a informação certa sobre os factores de risco da doença, evitando os riscos profissionais e ambientais e tendo um papel activo nas tomadas de decisão sobre todos os aspectos que afectem a sua saúde e a saúde das suas famílias.
Muito obrigado.
Actividades da OMS na Região Africana 2010
Relatório Anual do Director Regional [pdf 1.3Mb]
Towards reaching the health-related millennium development goals: progress report and the way forward
Report of the Regional Director [pdf 6MB]
Para Alcançar o Desenvolvimento Sustentável da Saude na Região Africana:
Orientações Estratégicas para a OMS, 2010-2015
[pdf 1.1Mb]
Actividades da OMS na Região Africana 2008-2009
Relatório Bienal do Director Regional
[pdf 3.3Mb]