O Dia Africano do Paludismo assinala-se pouco tempo depois da data estabelecida para a consecução das metas de Abuja. Em muitos países africanos onde o paludismo é endémico, têm-se verificado progressos apreciáveis na procura da consecução destas metas.
A proporção da população em risco que dispõe de acesso imediato ao tratamento eficaz do paludismo aumentou em comparação com a situação verificada em 2000. No seguimento das recomendações da OMS, 33 dos 42 países com paludismo endémico adoptaram as Terapias de Combinação com base na Artemisinina (ACT), mais eficaz para o tratamento dos casos da doença. Foram igualmente feitos progressos na área da prevenção, com diversos países a ultrapassarem a meta de Abuja para os níveis de cobertura com Mosquiteiros Tratados com Insecticida (MTI).
Contudo, muitos foram os países por todo o continente africano que não atingiram estas metas e o paludismo continua a ser um dos principais problemas de saúde pública. Calcula-se que, por ano, cerca de 60% dos 350 a 500 milhões de casos clínicos de paludismo, do número de óbitos, que ultrapassa 1 milhão, a nível mundial, mais de 80% ocorrem em países africanos. Os serviços de saúde continuam sobrecarregados pelos casos de paludismo, enquanto o absentismo das crianças em idade escolar e a produtividade laboral reduzida ou inexistente, contribuem para fazer do paludismo um factor determinante para o baixo crescimento económico dos países endémicos.
Este ano, as atenções da comemoração do Dia Africano do Paludismo centram-se em garantir que todos os que sofrem com a doença possam ter acesso sem dificuldades ao tratamento eficaz. Reconhecemos que, nos nossos países, o paludismo afecta os mais pobres de forma desproporcionada, aprisonando-os num círculo vicioso de probreza. Os nossos esforços colectivos para a redução da pobreza e obtenção de progressos no sentido da consecução das Metas de Desenvolvimento do Milénio devem, pois, começar a abordar os problemas do acesso por parte dos mais vulneráveis ao tratamento eficaz da doença.
Em Janeiro de 2006, a Organização Mundial de Saúde apresentou novas directivas sobre o tratamento do paludismo, reiterando a utilização das ACT no tratamento do paludismo não-complicado. Existe uma preocupação crescente de que o emprego da monoterapia de artemisinina possa comprometer a eficácia a longo prazo dos derivados do fármaco. Ao celebrarmos o Dia Africano do Paludismo 2006, apelamos a todos os interveninentes – doentes, profissionais de saúde, governos, empresas farmacêuticas, doadores e parceiros – para “concertar esforços das ACT”, de forma a que estas terapias possam ser efectivamente utilizada por todo o continente africano.
É com enorme agrado que recebemos o recente anúncio da Novartis, em que a farmacêutica afirma que irá produzir 100 milhões de tratamentos de Artemether/Lumefantri em 2006, um aumento substancial dos 30 milhões de tratamentos produzidos em 2005. A indústria farmacêutica está também a alargar as fontes de matéria-prima necessária através de parcerias com diversos países africanos para o cultivo da planta Artemisia annua, da qual é extraída a matéria-prima para o fármaco.
Há ainda muito trabalho a ser feito para disponibilizar ACT que sejam simples de administrar e a preços acessíveis. Apelamos à comunidade de Investigação e Desenvolvimento para que intensifique os esforços no sentido de conseguirem obter formulações de ACT mais baratas e de mais fácil utilização, particularmente a dose fixa para crianças, como complemento da doses em embalagem conjunta existentes. Lançamos um apelo aos governos para que subsidiem o custo das ACT de forma a garantir que o preço não constitua um obstáculo ao acesso por parte dos necessitados e que estes medicamentos eficazes estejam disponíveis nas proximidades de cada lar. É também necessário o esforço conjunto dos intervenientes para fazer face às barreiras dos sistemas de saúde no acesso ao tratamento por parte da população vulnerável.
Contamos com o apoio dos doadores e parceiros de financiamento, tais como o Fundo Mundial, o Banco Mundial e organizações bilaterais, para que continuem a disponibilizar recursos para a aquisição de ACT. Ao nível dos países, os governos precisam acelerar a traduzir as suas decisões na alteração das suas políticas de tratamento, com vista à implementação de novas políticas de ACT para que, até final do ano, a política de ACT se encontre em plena implementação em todos os 33 países. Será também necessária uma colaboração mais estreita com todos os financiadores, incluindo o sector privado, para garantir que a monoterapia de artemisinina seja eliminada nos países.
Ao comemorarmos o Dia Africano do Paludismo 2006, precisamos também de encetar abordagens novas e mais incisivas que possam incrementar outras estratégias com uma boa relação custo-eficácia, assegurando que o nosso objectivo a longo prazo de reduzir para metade o fardo do paludismo até 2010 é alcançado.
Estou convicto de que se “Concertamos Esforços das ACT”, poderemos garantir que todos os que precisam, terão acesso ao tratamento eficaz do paludismo.
Actividades da OMS na Região Africana 2010
Relatório Anual do Director Regional [pdf 1.3Mb]
Towards reaching the health-related millennium development goals: progress report and the way forward
Report of the Regional Director [pdf 6MB]
Para Alcançar o Desenvolvimento Sustentável da Saude na Região Africana:
Orientações Estratégicas para a OMS, 2010-2015
[pdf 1.1Mb]
Actividades da OMS na Região Africana 2008-2009
Relatório Bienal do Director Regional
[pdf 3.3Mb]