Todos os anos assinalamos, no dia 4 de Fevereiro, o Dia Mundial do Cancro. Este evento permite chamar a atenção do público para o crescente problema do cancro. O lema do Dia Mundial do Cancro de 2010 é “O cancro também pode ser evitado”. Este lema vem sublinhar a importância de proteger os indivíduos contra os factores de risco do cancro, como o uso do tabaco, dietas não saudáveis, uso nocivo de álcool, inactividade física, excesso de peso e infecções que causam cancro. Neste dia, juntamente com a União Internacional contra o Cancro, a OMS empenha-se numa campanha de âmbito mundial que incide na advocacia, na consciencialização e na prevenção eficaz para promover medidas que reduzam o fardo global do cancro.
São muitos os factores que contribuem para o cancro, e o processo desta doença difere de local para local. Tanto quanto se sabe, o tabaco é a mais importante das causas evitáveis que podem resultar em cancro, sendo responsável por quase 30% das mortes atribuíveis ao cancro no mundo. Calcula-se que a nível global, cerca de 30 a 40% de todos os casos de cancro estão relacionados com uma dieta não saudável, inactividade física e complicações associadas à obesidade. O uso nocivo de álcool é outro factor de risco importante para o cancro. Uma panóplia de exposições ambientais, algumas predisposições genéticas e certas infecções assumem um papel importante na carcinogénese. A nível mundial, quase 20% dos cancros decorrem de infecções crónicas subjacentes. No entanto, na Região Africana as doenças infecciosas crónicas são responsáveis por quase 26% dos factores de risco de cancro. Dado que um número significativode cancros em humanos são devidos a uma infecção persistente por vírus, bactérias ou parasitas, o fardo dos cancros causados por infecções pode ser grandemente reduzido com a implementação de medidas preventivas adequadas, incluindo a vacinação e o tratamento.
Por exemplo, a prevenção do VIH pode reduzir o sarcoma de Kaposi; a vacinação contra a hepatite B e o Vírus do Papiloma Humano (VPH) reduz os cancros do fígado e do colo do útero, respectivamente; e um tratamento precoce eficaz da Helicobacter pylori e da Esquistossomíase pode reduzir os cancros do estômago e da bexiga.
Em relação a muitos cancros, existem medidas preventivas relacionadas com os estilos de vida, como cessar o uso de tabaco, evitar o consumo excessivo de álcool, ter uma actividade física regular e adoptar uma dieta rica em fruta e vegetais. Foram concebidas técnicas e tratamentos eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Infelizmente, nem todos têm acesso fácil a estas medidas.
A situação do cancro está a piorar em bastantes países, onde muitos pacientes não podem aceder às actividades de despiste, diagnóstico e tratamento adequado. Segundo o Relatório do Cancro no Mundo, de 2008, prevê-se que, até 2030, os novos casos de cancro subam anualmente de 13 milhões para quase 27 milhões. Nessa altura, o cancro matará algo como 17 milhões de pessoas por ano. Na nossa Região, as estimativas apontam para 667 000 novos casos de cancro em 2008, afectando 314 000 pessoas do sexo masculino e 353 000 do feminino e causando 518 000 mortes, sendo 252 000 de pacientes do sexo masculino e 266 000 do sexo feminino.
Entre os homens, o Sarcoma de Kaposi é o cancro mais comum e a principal causa dos óbitos relacionados com o cancro, seguindo-se os cancros do fígado e da próstata. Nas mulheres, as formas mais comuns de cancro e dos óbitos correlacionados são o cancro do colo do útero e o cancro da mama. Não dispomos de números exactos, porque muitos casos de cancro e muitas mortes não são notificados. O fardo do cancro não se impõe somente como dor, sofrimento e luto. Ele compromete as expectativas de crescimento, prosperidade e esperança da sociedade. Impõem-se medidas urgentes. Poderemos salvar milhões de vidas todos os anos se abandonarmos velhas atitudes e mitos sobre o cancro, se intensificarmos as medidas de prevenção e controlo e se um número cada vez maior de pessoas tiver acesso às novas tecnologias e aos tratamentos eficazes de que dispomos.
A Organização Mundial de Saúde apoia os países da Região no seu confronto com os desafios do cancro, criando instrumentos e estratégias de prevenção e controlo do cancro, que englobam a implementação de intervenções prioritárias, o reforço de capacidades, a vigilância, a monitorização e a avaliação. A nível dos países, a prevenção e controlo do cancro devem merecer um lugar muito destacado na agenda nacional da saúde. Devem ser implementadas intervenções adequadas que reduzam a morbilidade e mortalidade do cancro, sustentadas por políticas nacionais e apoiadas por todos os intervenientes. A nível de comunidade, deve-se privilegiar a consciencialização do público, a detecção precoce e as actividades de referência. Muito se pode conseguir com os recursos actualmente disponíveis, para salver vidas e aliviar o sofrimento. O importante é começar e não perder o rumo.
Por ocasião do Dia Mundial do Cancro de 2010, exorto as populações a se informarem sobre o cancro e as lesões pré-cancerígenas, incluindo as infecções relacionadas com o cancro; a detectar precocemente e tratar todos os cancros e as infecções que os possam causar; e a adoptar comportamentos e estilos de vida saudáveis, capazes de reduzir os riscos de cancro. De modo específico, dever-se-á promover a vacinação das crianças contra as infecções da hepatite B e do vírus do Papiloma Humano, de modo a evitar a posterior ocorrência desses cancros no decurso das suas vidas.
Igualmente apelo às agências e doadores internacionais, para que aumentem o financiamento e o apoio técnico aos programas de prevenção e controlo do cancro, no âmbito das suas actividades de apoio e ajuda ao desenvolvimento.
Pelo seu lado, a OMS continuará a actuar em colaboração com os parceiros internacionais e nacionais no apoio aos países, para reforçar as suas unidades de saúde e a capacidade dos seus profissionais na prevenção e controlo do cancro. Os Estados-Membros receberão apoio no reforço dos sistemas de saúde, para que as políticas, legislação, estratégias e intervenções de base comunitária possam combater eficazmente o cancro, com especial incidência na prevenção.
Muito obrigado.
Actividades da OMS na Região Africana 2010
Relatório Anual do Director Regional [pdf 1.3Mb]
Towards reaching the health-related millennium development goals: progress report and the way forward
Report of the Regional Director [pdf 6MB]
Para Alcançar o Desenvolvimento Sustentável da Saude na Região Africana:
Orientações Estratégicas para a OMS, 2010-2015
[pdf 1.1Mb]
Actividades da OMS na Região Africana 2008-2009
Relatório Bienal do Director Regional
[pdf 3.3Mb]