Alocução do Director Regional da OMS para África, Dr. Luis Gomes Sambo, na Conferência Ministerial sobre Investigação em Saúde na Região Africana da OMS. Argel, 23 de Junho de 2008

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Alocução do Director Regional da OMS para África, Dr. Luis Gomes Sambo, na Conferência Ministerial sobre Investigação em Saúde na Região Africana da OMS. Argel, 23 de Junho de 2008

Excelência, Senhor Ministro da Saúde, da População e da Reforma dos Hospitais da República Democrática e Popular da Argélia;

Distintos Peritos,

Senhoras e Senhores Convidados,

Estimados Colegas,

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

É com grande prazer que me dirijo a esta Conferência Ministerial sobre Investigação em Saúde. A Organização Mundial da Saúde está decidida a dar um contributo significativo para os esforços desenvolvidos pelos governos e os outros actores, no sentido de reduzir o défice dos conhecimentos neste domínio.

 

Gostaria de agradecer, na pessoa de Vossa Excelência, Senhor Ministro da Saúde, da População e da Reforma dos Hospitais da Argélia, ao Governo da Argélia, por ter aceitado organizar esta Conferência e por ter feito investimentos substanciais para garantir o seu sucesso. Aproveito, igualmente, esta ocasião para expressar a minha satisfação pela excelência da cooperação entre a Argélia e a Organização Mundial de Saúde.

Excelências,

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Como bem sabem, a investigação desempenha um papel fundamental na produção de conhecimentos, no aperfeiçoamento de tecnologias e na avaliação dos programas de saúde.

Aquando da sua quinquagésima sexta sessão, realizada em Agosto de 2006, o Comité Regional Africano da OMS escolheu o Mali para acolher a Conferência Ministerial Mundial sobre Investigação em Saúde 2008. O Comité Regional confirmou igualmente que a Argélia seria a anfitriã da presente Conferência Ministerial, que se destina a analisar a situação da investigação em saúde e a acordar os termos de uma declaração conjunta sobre o reforço dos sistemas nacionais de investigação em saúde, no âmbito da preparação da conferência internacional de 2008, em Bamako.

Excelências,

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Recordar-se-ão que a prioridade actualmente atribuída à promoção da investigação para resolver os problemas de saúde dos países em desenvolvimento se baseia, substancialmente, no relatório histórico da Conferência Nobel, realizada na Suécia, em 1990. A Comissão sobre Investigação em Saúde ao Serviço do Desenvolvimento indicou que, à escala mundial, apenas 5 % dos investimentos da investigação em saúde são consagrados às afecções que representam 95 % do fardo da morbilidade mundial.

Os Ministros da Saúde da Região Africana concordaram sobre a necessidade de uma visão comum no domínio da investigação em saúde, a fim de assegurar um desenvolvimento sanitário sustentável, com especial destaque para os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

A quinquagésima sexta sessão do Comité Regional Africano adoptou um programa de acção para a investigação, assim como orientações estratégicas para a gestão dos conhecimentos no domínio da saúde.

No passado mês de Abril, a Conferência sobre Cuidados de Saúde Primários e Sistemas de Saúde em África adoptou a Declaração de Ouagadougou, a qual, entre outros, exortava os Estados-Membros a reforçar os seus sistemas de informação sanitária e de vigilância, a promover investigação operacional em sistemas de saúde e a criar centros de excelência no domínio da investigação, com vista à produção de dados factuais para servirem de base à tomada de decisões.

Excelências,

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Para facilitar as deliberações da Conferência Ministerial em curso, o Escritório Regional Africano da OMS realizou um inquérito regional sobre sistemas nacionais de investigação em saúde, em colaboração com os Ministérios da Saúde e instituições de investigação afins. Apraz-me assinalar que o mapeamento dos sistemas nacionais de investigação em saúde resultantes do inquérito constitui um marco importantíssimo.

Gostaria, igualmente, de informá-los de que o projecto de Declaração de Argel sobre investigação em saúde resulta das consultas levadas a cabo com todos os Estados-Membros. Creio, assim, estarem reunidas as condições necessárias para um debate ponderado, aprofundado e produtivo nesta Conferência.

Permitam-me saudar a presença dos Ministros da Saúde da Região Africana, aos quais se juntaram também os seus homólogos da Região do Mediterrâneo Oriental. Excelências, a vossa presença é para nós uma prova do interesse e da importância que atribuem ao papel da investigação em desenvolvimento sanitário, como preconizado na Estratégia para a Saúde em África da União Africana.

É com grande prazer que lhes anuncio que a OMS está aqui representada por uma forte delegação, constituída por funcionários da Sede, do Escritório Regional do Mediterrâneo Oriental e da Representação da Argélia. Saúdo, igualmente, a presença de representantes de outras agências das Nações Unidas.

Excelências,

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Durante os próximos quatro dias, iremos debater várias questões relativas aos sistemas de investigação em saúde, à gestão dos conhecimentos sobre a saúde e aos sistemas de informação sanitária. Será conferida especial atenção à liderança e às políticas de investigação, às capacidades financeiras, humanas e institucionais, à produção e à aplicação dos conhecimentos, tendo em vista a obtenção de melhores os resultados no domínio da saúde.

Convém sublinhar que a chave para a consecução dos objectivos do desenvolvimento relacionados com a saúde, acordados a nível internacional, incluindo os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, constitui uma responsabilidade fundamental dos governos, no âmbito das suas políticas e estratégias de desenvolvimento. Deve-se, assim, ter em conta a mobilização e afectação de recursos acrescidos para o reforço dos seus sistemas nacionais de investigação. Cabe, ainda, aos Estados-Membros a criação de mecanismos que permitam traduzir em acções concretas os resultados da investigação. Para este efeito, a OMS fornecer-lhes-á o seu apoio, de acordo com o seu mandato.

Para concluir, gostaria de agradecer, uma vez mais, aos delegados dos países e aos peritos que vieram partilhar connosco os seus conhecimentos e as suas experiências. Aos nossos parceiros, nomeadamente ao Programa Especial de Investigação e Formação em Doenças Tropicais (TDR), os nossos agradecimentos, não apenas pela sua colaboração no âmbito do inquérito, mas também pela preparação da presente reunião.

Muito obrigado pela vossa atenção.