Comunicado de Imprensa

TRAUMATISMOS EM CRIANÇAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA

16 Setembro 2002

 

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A Organização Mundial da Saúde(OMS) estima em 40 milhões o número de crianças de menos de 15 anos que são vítimas de violência anualmente, no mundo. As consequências destes traumatismos manifestam-se de diversas formas, em função da gravidade dos actos e da vivência da criança. Estes traumatismos podem, a longo prazo, ter consequências em termos de saúde e psicosociais.

A amplitude do problema a nível mundial é de tal forma importante que este ano, o Dia Mundial de Saúde Mental é dedicado ao tema " as consequências de acontecimentos traumatisantes e da violência em crianças e adolescentes ". Esta jornada comemorada a 10 de Outubro, é promovida pela Federação Mundial de Saúde Mental.

Se na Região africana da OMS, o problema da violência em geral e em particular contra as crianças é reconhecido, a sua dimensão real não é ainda objecto de uma abordagem à larga escala em termos epidemiológicos, de manifestações físicas e psíquicas, da abordagem terapêutica dos casos e da sua prevenção.

A OMS define a violência contra as crianças como sendo : " os maus tratos à criança sob todas as formas, nomeadamente, fisica e ou afectiva, abusos sexuais, abandono ou negligência, exploração comercial ou outra que possam causar prejuízo real ou potêncial à sua saúde, sobrevivência, desenvolvimento ou dignidade no contexto de uma relação de responsabilidade, de confiança ou de poder".

Os maus tratos à crianças são frequentemente acompanhados de violência verbal, que consiste em ignorar a personalidade da criança impedindo-a de se informar sobre os seus direitos ou de desenvolver alguma actividade. O resultado desta violência psicológica é a desvalorização, a depravação da criança, o que pode transformá-la num indivíduo não compreendido, desobediente ou mesmo delinquente. Os traumatismos que daí resultam podem ser ordem médica, com marcas físicas ou lesões graves, perturbações de ordem psiquiátrica caracterizadas por recordações emotivas de um acontecimento chocante gravadas profundamente em sua mente.

Durante uma reunião de consulta organizada pela OMS sobre a resposta do sector da saúde à violência sexual realizada em Genebra em 2001, foi apresentado um estudo realizado em vários países da Região que ressaltou o facto de que 36% de raparigas e 29% de rapazes terem revelado ter sido vítimas de abusos sexuais em sua tenra idade. Em 1999, a instituição "Save The Children" publicou o caso de 700 abusos sexuais em crianças registados num mesmo país.

A violência sexual tem graves consequências, a saber : gravidez não desejada, doenças sexualmente transmissíveis (DST) inluindo o HIV/SIDA, e indirectamente o alcoolismo, a toxicomania, a vagabundagem sexual, a dificuldade ou a rejeição de toda relação sexual. A incidência deste flagelo traduz-se também pelo medo, pela ansiedade, por perturbações do comportamento, do sono, da alimentação, da palavra, pela depressão podendo terminar com tentativa de suicídio ou mesmo suicídio.

As mutilações genitais femininas que são consideradas não apenas como violência sexual mas igualmente como uma violação dos direitos humanos da criança, caracterizam-se pela excisão parcial ou total do clítoris e de outros orgãos sexuais da mulher. Estas mutilações são causa de infecções graves, de sangramento abundante, de septicémia, de relações sexuais dolorosas, de fluxos menstruais difíceis, de perda da retenção urinária, risco de infecções sexualmente transmissíveis incluindo o HIV/SIDA, partos dolorosos, depressões. A amplitude do problema e tão grande que a OMS desenvolveu um plano de acção para a Região africana.

As crianças são vítimas de violência principalmente no meio familiar, comunitário, institucional ou por causa da guerra. Em tempo de guerra, as crianças expostas a todas as formas de violência sofrem traumatismos que podem interromper o seu processo de desenvolvimento, provocar pertubações psíquicas graves e transformá-las em potenciais delinquentes.

As crianças que não sofrem mas testemunham actos de violência podem também tornar-se violentas. Segundo especialistas, há mais probabilidades de que estas crianças sejam violentas com os seus parceiros na vida adulta do que aquelas que cresceram em lares não violentos.

Os problemas provocados pela violência, em particular de ordem mental e psicosocial manifestam-se de acordo com a dimensão do traumatismo. A situação é agravada pela fraqueza das actividades de prevenção e também e principalmente pela impossibilidade de acessoo à um tratamento eficaz. O custo sócio-financeiro da violência cifra-se em milhões de dólares americanos.

Em 1997, a OMS fez da violência um problema de saúde pública e da sua prevenção uma prioridade mundial. A Organização convida os Estados membros a tomarem com urgência decisões estratégicas e fazerem escolhas que possam ter repercussões positivas para a abordagem integrada e completa da violência que compreende o tratamento das perturbações mentais e de comportamento. A OMS recomenda o desenvolvimento e ou reforço das políticas de saúde mental através da promoção de um quadro multidisciplinar e multisectorial a nível dos cuidados, o desenvolvimento de recursos humanos, instauração de um sistema de acompanhamento com base na comunidade e a manutenção da pesquisa em matéria de prevenção e de gestão da violência.

A Organização Mundial da Saúde exorta os países a respeitarem os direitos humanos das crianças e a fazerem da luta contra a violência uma prioridade com vista à sua redução ou à erradicação deste flagelo e das consequências traumáticas dela resultantes.


Para mais informações, contactar: 
Flavienne Issembe ou Joana Teixeira - Serviço de Informação Pública e Comunicação 
Dra Custódia Mandlhate - Divisão de Doenças Não-Transmissíveis 
Dra Colette Delhot - Divisão de Família Saúde e Reprodução 
Escritório Regional Africano da OMS, B.P. 06, Brazzaville, Congo 
Tel: ( 1-321) 95 39352/ 95 39329/ 95 39179/ 95 39382/ Fax : ( 1-321) 95 39513 
E-mail : issembef@afro.who.int mandlhatec@afro.who.int 
delhotc@afro.who.int
- teixeiram@afro.who.int


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